NEGRITUDE - Afrodescendentes comemoram Zumbi
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quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Começou ontem, com uma contação de histórias, as comemorações da XXI Semana Zumbi dos Palmares de Londrina. Por duas horas, mais de 40 crianças de uma escola pública da Zona Oeste reuniram-se na Usina Cultural, na região Central, para ouvir contos afro-brasileiros e aprender mais sobre a origem de seus ancestrais. São histórias que fazem com que as crianças se aceitem como são, percebam sua beleza negra e deixem de se comparar à beleza ocidental, assinalou Vilma Santos de Oliveira, a Yá Mukumby, coordenadora do Conselho Municipal da Comunidade Negra.
Segundo ela, as crianças convivem com uma realidade marginalizada por isso é importante aproximá-las do movimento. A idéia é resgatar a cidadania dos pequenos, fazer com que eles enxerguem além da marginalidade , explicou.
Yá Mukumby calculou que hoje 21% da população de Londrina são afrodescendentes e a principal insatisfação da comunidade é o grande número de negros que moram na periferia e estão diretamente ligados à criminalidade. O preconceito é velado, mas está presente em todos os momentos. Precisamos nos impor, exigir nossos direitos e, se for preciso, usar a lei para mostrar que o negro deve ser respeitado, disse.
A semana dedicada à Zumbi é a oportunidade encontrada pelos movimentos negros, de Londrina e do Brasil, para elevar a auto-estima da população afrodescendente por meio da profissionalização, bem como discutir questões relacionadas à saúde, a permanência do negro na universidade, como inserir o jovem de risco em projetos culturais, baixar o índice de marginalidade e diminuir a evasão escolar, completou Yá Mukumby.
Para isso, enumerou ela, serão realizadas, até o próximo dia 26, em vários pontos da cidade, palestras, peças teatrais, oficinas de culinária e capoeira, mostra de vídeos e arte afro-brasileira, shows, cursos e I Fórum Municipal das Organizações Sócio-Culturais Afrodescendentes de Londrina. Zumbi morreu pela liberdade escravagista e foi um exemplo de luta para a comunidade negra, exaltou Yá.
A cerimônia oficial de abertura da Semana será amanhã, com a apresentação do espetáculo Anastácia. No sábado pela manhã, haverá concentração afro no Calçadão da Avenida Paraná e, no domingo à tarde, roda de samba do projeto Quizomba. Ainda durante a semana de Zumbi serão discutidas realizações e desafios dos cotistas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e literatura africana.
Outro assunto que será debatido durante a semana comemorativa são os desdobramentos da religiosidade negra, que culminará numa missa afro no dia 26, na Capela Santa Ana, no Jardim Santa Fé (Zona Leste). Segundo Rosangela Alves Ferreira, coordenadora da pastoral afro de Londrina, é importante discutir como as raízes africanas influenciam as celebrações religiosas. Durante o rito católico iremos agregar danças e cantos afros, contou.
Para Yá Mukumby, a semana tem ganhado cada vez mais adeptos ao longos dos anos, inclusive o apoio da universidade e da igreja de modo geral. Militante do movimento negro há 25 anos, Yá acredita que ainda há muito o que ser feito pelos afrodescendentes no Brasil. Falta vontade política em todas as esferas.


