O vendedor autônomo Valdomiro Ferreira Ramalho foi indiciado em inquérito policial por denúncia caluniosa contra os irmãos Sílvio e Valdecir Pires de Campos. Valdomiro vendeu uma mobilete para Sílvio por R$ 200,00, cujo pagamento seria feito em duas parcelas de R$ 100,00. Com medo de ser passado para trás, no mesmo dia que vendeu a mobilete, Valdomiro resolveu registrar um boletim de ocorrência na 10ª Subdivisão Policial (SDP) dizendo que havia sido roubado por Valdecir em R$ 100,00.
Por causa da denúncia do roubo, o delegado operacional da 10ª SDP, Valdir Abrahão, chegou a apreender a mobilete que estava com Sílvio. O delegado indiciou os irmãos como ladrões em inquérito policial. Abrahão contou que resolveu reabrir o caso diante da forma convicta com que Sílvio e Valdecir juravam inocência.
Após uma acareação entre os envolvidos, Valdomiro acabou confessando a farsa. ‘‘Muitas pessoas, para justificarem negócios malfeitos ou tentando ludibriar as seguradoras, inventam histórias na polícia. Isto é crime e trás prejuízos para a comunidade. Acabam roubando o tempo que teríamos para investigar casos reais’’, queixou-se Abrahão. Conforme o Código Penal, a pessoa condenada por denúncia caluniosa pode ser penalizada de dois a oito anos de reclusão.
Outro caso que está sendo investigado pelo delegado é a denúncia feita pelo comerciante Vanderlei Fávaro. No 20 de abril, ele registrou queixa na 10ª SDP. Disse que havia sido roubado em R$ 3 mil no interior da loja.
Abrahão afirmou que, no início das investigações, desconfiou que o comerciante estava mentindo pelas inúmeras contradições. ‘‘No final, Vanderlei acabou confessando que os R$ 3 mil eram para dar entrada na compra de cinco computadores, no valor total de R$ 6 mil. Ele foi traído pelo preço muito baixo dos computadores. Os ladrões disseram-lhe que eram contrabandos apreendidos e desviados da Receita Federal’’, contou o delegado.
Até o início da noite de ontem, o delegado ainda não sabia como penalizar o comerciante, já que ‘‘de certa forma’’ ele realmente foi vítima de estelionato. Os estelionatários continuam soltos.

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