Faz um bom tempo que deixou de ser raro os casos de empresas familiares administradas pelos filhos. Hoje, é comum encontrar jovens na faixa dos 25, 30 anos, que pegaram carona no negócio dos pais. A pouca idade desse time de sucessores atenua a tese de que para ter responsabilidade e experiência é preciso ser mais velho.
  Aos olhos de muitos, trabalhar ou assumir a empresa da família é tarefa das mais fáceis, afinal, o pai é o dono do negócio. Ledo engano. Principalmente para quem vive a experiência. O objetivo dessa moçada é trabalhar ao lado dos pais em busca do máximo conhecimento possível para garantir o impulso do crescimento da empresa. Um ponto a favor no assunto em questão é que, aliar família e trabalho pode dar ainda mais formas à ‘beleza’ do empreendimento familiar bem-sucedido.
  A continuidade da empresa, associada ao sucesso da mesma transita entre os sonhos de toda população empresarial. E o que se nota quando o assunto é sucessão familiar é que, assumindo o lugar de seus pais, os herdeiros fortalecem ainda mais a história e identidade do negócio.
  Quando começou a cursar Administração de Empresas, Amanda Davantel Boscardin, 27 anos, já sabia que queria trabalhar nas empresas da família, duas concessionárias de carros, uma em Apucarana e a outra em Ivaiporã. Formada em Direito, ela passou por vários setores do negócio e hoje ocupa cargo na administração, comandando, junto do pai, Armando Boscardin, 64 funcionários.
  ‘‘Todo pai procura em seu filho as qualidades e virtudes que o mesmo acredita serem necessárias para o bom andamento dos negócios. Cabe ao filho nessa hora se dedicar para atender as expectativas do pai sem perder sua identidade própria, ‘misturando’ a experiência com novos conceitos, tudo para o bem da empresa’’, diz Amanda.
  Nos empreendimentos familiares os herdeiros geralmente começam cedo a ter contato com os negócios, o que gera conhecimento sobre a empresa. Paula Abu-Jamra, 24, formada em Administração de Empresas, trabalha há sete anos na firma da família, uma distribuidora de rolamentos. Sua irmã Adriane Abu-Jamra, 26, graduada em Direito, está lá há 10 anos.
  Oriundas de setores como estoque, expedição, faturamento e administração, hoje Paula ocupa uma mesa no departamento comercial e Adriane tem a incumbência de chefiar a parte financeira. ‘‘Começar a trabalhar na nossa empresa foi um acontecimento bem natural. Meu pai sempre nos deixou à vontade. Trabalho no que gosto, no que traz lucro e também satisfação’’, conta Paula.
  É claro que nem todo relacionamento de pai e filho é lá um mar de rosas, até porque nos negócios acaba-se também embutindo uma gama de sentimento. A convivência quase que em período integral gera, em alguns momentos, conflitos de decisões e ideias. ‘‘As discussões sempre vão existir, na convivência familiar ou na profissional. O mais difícil é conseguir separar as coisas. Você sempre leva problemas do trabalho para casa e vice-versa’’, explica Amanda.
  Além de terem que provar que estão aptos a levar adiante o patrimônio da família, esses dirigentes-chaves muitas vezes convivem com o peso de ouvirem nas entrelinhas - ou não - o nada doce comentário de que estão ali porque são filhos do dono. ‘‘Isso realmente é uma situação difícil, mas tento administrar da melhor maneira’’, revela Adriane.
  Já para Amanda é preciso provar que se é capaz de ocupar o lugar em questão. ‘‘É preciso mostrar que você está ali não apenas porque é filho do dono; ter pulso firme e ser bastante humilde ao mesmo tempo. Lidar com pessoas é uma arte e a única forma de evitar suspeitas de privilégio é ganhar a confiança de seus colaboradores, mostrando um trabalho sério e de qualidade’’.

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