NEGÓCIO PROMISSOR - Santa Fé, a cidade da fotografia
Na década de 80 o refrão ''não sou gato de Ipanema, sou bicho do Paraná'', da música do compositor João Lopes - nascido e criado no Norte do Estado -, que exaltava o trabalho do sertanejo da região, ganhou as rádios do Brasil. Hoje, a terra vermelha da região continua produzindo muito e o homem do campo trabalhando bastante. No entanto, tem ''bicho do Paraná'' fazendo história também nas cidades e espalhando sucesso Brasil afora.
É assim em Santa Fé, município de 9,7 mil habitantes - de acordo com o censo de 2007 do IBGE - a 50 km de Maringá. Em menos de 30 anos, a cidade construiu uma interessante história ligada à fotografia de formaturas e hoje pleitea o título de capital nacional do ramo.
Se depender dos números, o título é merecido. Cadastradas na Associação das Empresas de Fotografia de Santa Fé estão 30 empresas, que oferecem em torno de 400 empregos diretos, sem contar os representantes comerciais e fotógrafos que estão espalhados por diversos Estados do Brasil, do Amapá ao Rio Grande do Sul.
Todos os dias, em torno de 65 mil fotos são reveladas na cidade, que conta com 10 máquinas ''minilabs'', que fazem o processo de revelação das fotografias digitais. Cada máquina dessas custa em torno de R$ 200 mil. Estima-se que 10% da população dependa da indústria da fotografia.
Muita gente trabalha em casa, tratando fotos no computador ou montando álbuns. A circulação de dinheiro é tamanha que os cheques que levam carimbos das empresas fotográficas são aceitos imediatamente pelo comércio da cidade, independente da praça de origem. ''Quando é cheque de empresa de foto eu até dou de troco'', destaca o comerciante Deorande Guapo, dono de uma loja de móveis.
Entender como os fotógrafos de Santa Fé se espalharam pelo País não é difícil. Em cada empresa visitada pela reportagem a história é a mesma: todos se referem a um certo ''Kello'' como o responsável pelo início de tudo. Trata-se de Vanderlei Ferreira, empresário de 47 anos de idade que está há 35 trabalhando com fotografia.
Ele começou como empregado de pequenas empresas fotográficas de Santa Fé, trabalhando na revelação e indo até as fazendas da região, de bicicleta, fotografar o povo da roça. Aos 19, montou a Kello Cine e Foto e começou a fotografar formaturas. O negócio prosperou tanto que é difícil achar alguma outra empresa de fotos na cidade que não tenha nascido da empresa de Vanderlei.
É o caso da Moris Formaturas, cujos proprietários eram vendedores da Kello. Funcionando há 10 anos, a Moris já tem filiais em Anápolis e Rio Verde (GO), Campo Grande e Dourados (MS), Maceió (AL) e representantes em várias outras cidades, principalmente do Nordeste do País. ''Fizemos trabalhos naquela região e gostamos da clientela. É um bom mercado'', explica Cleonice Moris, uma das proprietárias da empresa.
Na linha de produção, Cleonice conta com 120 funcionários. São pessoas como Célia Vidal, que trabalha com as duas filhas na montagem de álbuns. Depois da jornada de oito horas na empresa, elas ainda emendam o trabalho por mais quatro horas em casa, montando álbuns para outras empresas e até para a própria Moris, de forma terceirizada.
Mesmo passando o dia todo olhando para fotos, Célia diz que não enjoa do serviço e até se diverte reparando nos rapazes bonitões ou tecendo comentários sobre o vestido e a maquiagem das mulheres.





