Londrina - O Brechó da Neuza, localizado na Rua Mato Grosso, foi o terceiro estabelecimento desse tipo a ser aberto em Londrina. "Sempre que minha mãe passava em frente do brechó, a Dona Luzia falava para ela que a atividade era muito boa. De tanto que falou, minha mãe resolveu abrir a sua própria loja. No começo eu ajudei. Foi minha mãe quem me ensinou como trabalhar com o comércio de roupas usadas", relembrou a proprietária do brechó, Neuza de Almeida, 62 anos. A mãe dela, Maria de Lourdes de Oliveira, 82, foi dona do segundo brechó de Londrina, aberto em 1977 também na Rua Mato Grosso, que hoje não existe mais.
Segundo Neuza, no começo ela vendia roupas mais largas, de corte reto. "As calças jeans tiveram seu modelos modificados ao longo dos anos. Não havia essas calças mais justas, que surgiram mais recentemente, e as cores eram mais escuras", relembrou.
A comerciante revelou que as roupas de décadas passadas só são procuradas em períodos de festas à fantasia. "Hoje a gente só compra roupas que estão na moda e que estejam em boas condições. No começo ainda comprava lotes de roupas que tinham peças boas misturadas com ruins. Hoje não dá mais para fazer isso", explicou. Para ela, a concorrência dos produtos chineses e o uso da internet para comercializar produtos usados afetou seu movimento. "Antes o lucro era maior, agora o movimento caiu muito. Antigamente as roupas eram mais caras e as pessoas que não tinham condição compravam com a gente", destacou.
Uma de suas clientes é a agente comunitária de saúde Tereza da Silva, 57, moradora do Jardim Interlagos. O atendimento proporcionado por Neuza é de um acolhimento surpreendente, como se fossem comadres dividindo uma receita. "Estou acostumada com isso. Sempre que passo por aqui, visito ela. Já conheço a Dona Neuza há dez anos e a gente se apega às pessoas, principalmente pelo jeito dela trabalhar", opinou Tereza, que costuma passar pela loja apenas para dar um oi. "Em primeiro lugar a gente busca o atendimento e sempre acha coisas boas para adquirir. Já comprei edredom, colcha, sapatos para minha filha, camisas e bolsas", citou. (V.O.)

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