O telefone toca e do outro lado da linha alguém faz ameaças e estipula um resgate. Sequestro? Sim, mas não de pessoas. Quadrilhas em Londrina perceberam que exigir o pagamento de resgate também funciona em relação a motocicletas que são furtadas ou roubadas nas ruas da cidade. Invariavelmente, o proprietário prefere correr o risco e aceitar a extorsão do que apostar na eficiência policial e acabar perdendo o bem definitivamente.
No final do ano passado, um rapaz de 25 anos, morador da Zona Norte da cidade, seguia pela rua Arcindo Sardo quando foi abordado por dois adolescentes armados. Sob a mira de revólveres não teve outra chance a não ser entregar a moto, avaliada em cerca de R$ 4 mil. Registrou boletim de ocorrência do roubo, mas dois dias depois acabou recebendo um telefonema em casa de um homem dizendo que estava de posse da motocicleta. Para devolvê-la, entretanto, queria R$ 1,6 mil em dinheiro.
O pai do rapaz assumiu as negociações e conseguiu baixar o valor do resgate para R$ 1 mil. ''Por trás dos moleques, com certeza, havia adultos que comandavam. O homem que me ligou disse que se eu não pagasse nunca mais iria ver a moto, que já estava até em cima de uma caminhonete pronta para ser desmanchada'', detalhou o negociador.
Acertado o pagamento, pai e filho receberam a instrução de seguir até o Conjunto João Paz, também na Zona Norte. ''Encontrei um homem numa esquina, ele pediu para a gente encontrar outro mais abaixo. Ao parar, ele pediu o dinheiro e disse para meu filho acompanhá-lo até uma casa próxima onde tinha realmente uma caminhonete com três motos na carroceria. Meu filho pegou a dele e saiu.''
O pai conta que a família precisou emprestar o dinheiro do resgate mas preferiu não esperar pelo trabalho policial. ''A Polícia foi rápida no dia do roubo, nos atendeu bem mas a gente sabe que eles não têm condições de ir atrás de moto roubada. Só prendem mesmo num golpe de sorte durante uma blitz ou por alguma denúncia'', comentou. Ele disse que assim como decidiu pagar para reaver um bem que já era tem pelo menos mais três conhecidos que teriam feito o mesmo nos últimos três meses. ''Se você não faz isso já era, nunca mais vê a moto'', concluiu.

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