Negociação não avança e governo pede trégua
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Katia Michelle 
Curitiba O governo do Estado pediu um voto de confiança para o comando de greve das universidades estaduais do Paraná e quer uma trégua na paralisação que hoje completa 123 dias. Segundo o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, caso os servidores e professores não suspendam a greve até o final do mês, não haverá negociação. Não há condições de oferecermos índice de reajuste nesse momento, afirma o secretário.
Ele se reuniu ontem, no prédio da secretaria, em Curitiba, com seis integrantes do comando de greve das universidades estaduais. No final do encontro, que durou pouco mais de duas horas, a única certeza tanto por parte do governo quanto dos grevistas era de que o impasse nas negociações iria continuar.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos do Ensino Superior do Oeste do Paraná (Sinteoeste) e uma das lideranças do comando de greve, Luiz Fernando Reis, enfatizou que dificilmente a proposta de trégua feita pelo governo será aceita. Nenhuma categoria suspende uma greve sem haver uma proposta, justifica. Ainda assim, a categoria se reúne hoje, às 15 horas, para discutir o posicionamento do governo.
O governo ameaça entrar com uma avalanche de ações contra os sindicatos caso a categoria não retorne ao trabalho. Segundo o secretário, a sociedade está sendo prejudicada e alguém deve ser responsalibizado. Reis entende que a ameaça é um mecanismo de pressão. Estamos amparados judicialmente. A greve é legal, garante.
O secretário assinou ontem, ao final da reunião, documento em que se compromete a flexibilizar o orçamento de 2002 para atender a reestruturação do Plano de Carreiras, Cargos e Salários (PCCS) dos quadros das instituições de ensino superior estaduais, desde que seja possível atender as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo se ampara na lei para justificar a impossibilidade de conceder aumento à categoria, mas promete, para o próximo dia 18 de fevereiro encaminhar à Assembléia Legislativa projeto de lei que estabeleça alterações nos PCCS e a correspondente dotação orçamentária. Para isso, coloca como condição, a suspensão, ainda que temporária, da greve.


