Toledo Questões burocráticas e uma negociação lenta com o governo do Estado são os principais fatores que levaram a Prefeitura de Toledo (Oeste) fechar as portas do Instituto Médico Legal (IML), que não está funcionando desde segunda-feira. Todo o trabalho realizado pelo órgão está sendo encaminhado ao IML de Cascavel.
Segundo o secretário executivo do Conselho de Segurança e secretário de Comunicação da Prefeitura de Toledo, Lourival Neves Júnior, os corpos e os exames de corpo delito continuarão sendo tranferidos para Cascavel até que a Secretaria de Segurança Pública do Paraná providencie a locação de um novo imóvel para o funcionamento do IML.
''Tivemos uma audiência com o governo do Estado em março do ano passado e nos foi passado que seria providenciado a construção de um novo prédio para o funcionamento do IML. Em outubro demos mais um prazo e não houve nenhum ação do Estado. A prefeitura não tem condições de arcar com o valor do aluguel do imóvel onde funciona o IML, por isso, demitimos os funcionários e o imóvel será entregue ainda essa semana'', disse Júnior.
Ainda segundo o secretário, a Prefeitura de Toledo investia R$ 120 mil por ano para manter o órgão, que não estava em condições de dar continuidade aos trabalhos devido a falta de equipamentos. ''Precisamos da geladeira, que é usada para congelar os corpos e outros materiais. Queremos que o IML funcione, mas queremos que o órgão tenha condições adequadas para isso'', ressaltou.
A proposta do município para dar continuidade ao funcionamento do IML é que o Estado assuma o valor do aluguel, enquanto o município mantém a estrutura atual de funcionários, desde que o Estado também ceda para Toledo um dois veículos e duas motocicletas para serem utilizados no departamento de trânsito.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que o terreno cedido pela prefeitura para a construção do IML de Toledo não possui condições adequadas e que já foi enviado à administração a planta do prédio para que seja providenciado um novo terreno.
Além disso, a assessoria informou por meio de uma nota à imprensa que existe um termo de cooperação mútua, assinado pela prefeitura e pela Secretaria de Segurança, que firma a responsabilidade do município em manter o órgão até 17 de fevereiro (data em que vence o termo). Para isso, segundo a assessoria, o Estado estaria fornecendo instrumentos necessários, treinamento aos funcionários, a geladeira de necrotério (prevista para ser entregue ainda este mês), enquanto a prefeitura arcaria com a manuntenção do IML.
Cascavel Enquanto a responsabilidade do funcionamento do órgão é discutida, os exames que seriam realizados pelo IML de Toledo podem causar transtornos para o IML de Cascavel devido ao acúmulo de trabalho.
Segundo o auxiliar de necropsia, Pedro Soares, que trabalha no órgão há 33 anos, o IML de Cascavel atende hoje cerca de 30 municípios, realizando em média, 50 autópsias por mês, além de quase 400 procedimentos (exames de lesões, necropsias, etc) mensais. Na opinião dele, o órgão não possui estrutura suficiente para atender mais cerca de 20 municípios que antes eram atendidos pelo IML de Toledo.
''Vai haver uma sobrecarga de trabalho. Temos um médico de plantão, três auxiliares, mas dois estão doentes. Vai ser muito serviço para pouca estrutura. Já está sobrecarregando'', comento Soares.

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