Londrina
Representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Londrina (Sintrol), do sindicato patronal e das empresas Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Francovig estiveram reunidos ontem à tarde na Delegacia Regional do Trabalho para discutir o reajuste salarial da categoria. Após mais de três horas de discussão, eles não chegaram a um consenso e nem foi marcada outra reunião. O prazo dado pelo sindicato dos trabalhadores às empresas para dar início à greve vence amanhã à tarde, mas a possibilidade de uma paralisação imediata está praticamente descartada.
A data-base da categoria é julho e o que está sendo discutido são as cláusulas econômicas - as sociais valem para dois anos e vencem apenas no dia 30 de junho de 1998. A proposta do Sintrol é de no mínimo 15% de reajuste. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon), oferece 10% de aumento salarial. A Cidade tem um total de 1.512 motoristas e cobradores atuando nas empresas do setor.
Na semana passada, os trabalhadores realizaram uma assembléia e optaram pela greve, caso as empresas não atendam à reivindicação de 15% de reajuste. O Metrolon e as duas empresas foram notificadas e o prazo legal de 72 horas de comunicação vence amanhã, às 15 horas. Isso porque a Francovig, a última a ser notificada, recebeu a comunicação na segunda-feira, às 15 horas.
A reunião de ontem seria a última antes de uma possível paralisação da categoria. No entanto, as negociações não avançaram. ‘‘Não teve acordo’’, resume o assessor técnico da TCGL, Maurício Thesin. Ele afirma que a empresa fará tudo para que a greve não seja deflagrada, mas dentro do índice que é possível para a Grande Londrina - 10%. ‘‘Este é o limite’’, garante.
Maurício Thesin ressalta que a proposta do sindicato patronal é a melhor se comparada com outras cidades de mesmo porte de Londrina. ‘‘É o maior salário do Paraná.’’ Atualmente, os motoristas ganham R$ 576,00 e o salário dos cobradores é de R$ 357,22 para uma jornada de trabalho de seis horas. Ele diz que as empresas ficarão aguardando que o sindicato marque outra reunião para voltarem à negociar.
O presidente do Sintrol, Evanildo Pinto, diz, no entanto, que o sindicato não convocará outra reunião, muito menos assembléia com os trabalhadores. Ele diz esperar que a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) ajude de intermediar a negociação. O secretário executivo da Companhia, Eduardo Alonso, participou da reunião, mas apenas como observador. Ele garantiu que não haverá aumento da tarifa do ônibus urbano em função das negociações salariais.
‘‘Eles (o sindicato patronal) têm até quinta-feira para oferecer outra proposta’’, afirma Evanildo Pinto. Segundo ele, a possibilidade de greve não está descartada. O vice-presidente do Sintrol, João Batista da Silva, esclarece que 72 horas é o prazo mínimo dado às empresas, mas isto não significa que a paralisação ocorrerá imediatamente após o vencimento do prazo.
Evanildo Pinto observa que nem os 10% não estão totalmente garantidos, já que este índice não está na ata da reunião. Ele explica que, se constar em ata, esse é o índice que a Justiça dará aos trabalhadores em caso de uma possível greve ou dissídio coletivo. ‘‘Geralmente, os juízes costumam acatar como índice mínimo o que consta na ata’’, informa.
Com algumas empresas de outros setores, como de cargas e do comércio, o Sintrol chegou a acordos cujo reajuste gira em torno de 9%, menor que o índice ofertado pela Francovig e TCGL. João Batista observa que, no caso dessas empresas, o reajuste foi concedido mesmo sem aumento tarifário. A tarifa de transporte coletivo em Londrina sofreu aumento de 25% no início do mês passado.
O reajuste salarial é o único das três cláusulas econômicas que gerou discussão entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores. A jornada de seis horas e 2% de anuênio estão mantidos. No início das negociações, o Metrolon falou da possibilidade de aumentar a jornada e reduzir o anuênio para 1%. Essa hipótese foi descartada em seguida.
Participaram também da reunião o gerente da Grande Londrina, Gil Dalmo de Mendonça, o advogado do Metrolon, Wilson Sokolowiski, e o diretor da Francovig, Francisco Francovig. O encontro foi intermediado pelo delegado regional do Trabalho, Dorival Arantes.

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