Santa Isabel do Ivaí – A população de Santa Isabel do Ivaí (92 km de Paranavaí) não está encontrando respaldo em órgãos fiscalizadores na busca de garantias constitucionais como a saúde e proteção à vida. Há quase dois meses, a comunidade convive com o maior surto de toxoplasmose já registrado por especialistas no mundo. A única representante do Ministério Público do município está de férias e a promotoria de Loanda, que responde neste período, informou que não há nenhum procedimento aberto para apurar a situação da saúde pública de Santa Isabel do Ivaí.
Segundo o vereador Cezar Matos (PT), representantes da Conferência Municipal de Saúde chegaram a fazer uma denúncia na Conferência Estadual realizada em dezembro, em Curitiba, sobre a falta de providências do Ministério Público. Matos disse que apesar das constantes denúncias da Conferência Municipal junto ao Conselho Municipal de Saúde, também nenhuma medida foi tomada. ‘‘Somente quando procuramos a Regional de Saúde as notificações tornaram-se públicas’’, afirmou o vereador.
Matos disse também que não é de agora a precariedade do sistema de saúde. Setores do único posto de saúde da cidade ficaram interditados por um período por falta de higiene e de materiais e remédios para a população. ‘‘Apesar da conferência ser o órgão máximo, todos os relatórios do conselho foram brandos sobre a questão’’, denuncia o vereador. Segundo ele, o reservatório de água do município deveria ser interditado, mas a questão também esbarrou em falta de providências. ‘‘Aqui impera o silêncio. Ou você fica quieto, ou sofre as consequências’’, diz o vereador.
Uma fonte da Folha ligada às autoridades do município reforçou que, de fato, está difícil se mobilizar e exigir ações visando a busca de responsabilidades. ‘‘As autoridades estão com medo de ações de indenização e de ações criminais por negligência’’, informou a fonte.
Segundo esta mesma fonte, o fato do município ser pequeno, com uma população de apenas 9 mil habitantes, provoca ingerência entre representantes da sociedade civil. ‘‘Aqui todo mundo se conhece, um é parente do outro, e sempre quando ocorre uma reclamação mais contundente, surgem ameaças de perda de cargos ou de demissões de familiares’’, denuncia a fonte.
Os primeiros casos da doença começaram a aparecer no início de dezembro. Até agora são mais de 290 notificações, com 132 exames confirmados. A principal suspeita do foco de contaminação recai sobre o abastecimento de água do município. O reservatório é subterrâneo e tem mais de 40 anos.

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