A conscientização ainda é a principal arma utilizada no combate à violência contra os idosos. Embora seja um assunto ainda tão chocante, esse tipo de atitude é um fenômeno universal e é caracterizado, inclusive, como um problema de saúde pública. Em Londrina, a negligência com os idosos é a maior causa da violência e responde por 35% dos casos; seguido pelo abuso psicológico (30%), abuso financeiro (28%), e abuso físico (6%). No ano passado, a Secretaria Municipal do Idoso recebeu 388 denúncias, contra 584 registradas em 2004.
A queda do número de casos é reflexo de uma ampla divulgação feita sobre o tema em 2004. ''Mas não significa que as ocorrências diminuíram, estamos percebendo que os atendimentos têm triplicado. A demanda aumentou'', informa Genilda Pozzetti Stabile, diretora de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal do Idoso. As estatísticas mostram que a maioria dos casos de violência ocorre dentro das próprias famílias e é praticada por filhos, genros e noras. E o pior: 60% dos casos são reincidentes.
Ontem foram realizadas várias atividades no Calçadão de Londrina para marcar o Dia Mundial de Conscientização da Violência à Pessoa Idosa, comemorado no último dia 15. Uma equipe de alunos e professores dos cursos de Educação Física e Enfermagem da Unopar promoveu atividades físicas com os idosos e aferiu a pressão. Grupos musicais animaram a manhã. Também foram montados painéis com alguns itens do Estatuto do Idoso e os tipos de abuso mais comuns sofridos pelos idosos.
Denúncias - A secretaria desenvolve um trabalho em parceria com as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para identificar os casos e fazer a notificação. Algumas notificações já são feitas pelos profissionais das UBSs, pelos próprios idosos ou vizinhos. Depois de feita a denúncia, uma psicóloga do órgão faz as primeiras orientações. Em seguida, a família é notificada e, durante a reunião, é informada sobre o Estatuto do Idoso, inclusive com as punições previstas para os maus-tratos. Idosos em situação de risco, geralmente, são encaminhados para asilos filantrópicos.
Em última instância o caso é encaminhado para a Promotoria de Defesa do Idoso. O promotor Miguel Sogaiar comenta que o órgão atua na defesa dos direitos dos idosos no âmbito coletivo. ''Eventualmente, em casos de maus tratos feitos pela família, a Secretaria comunica o Ministério Público que pode tomar medidas para coibir essas ações'', disse. Atualmente, a Promotoria está gestionando o Poder Judiciário para regularizar a situação de cerca de dez idosos que estão em asilos e não possuem qualquer documentação.
Para tentar reverter esse quadro, a Secretaria vêm promovendo palestras de conscientização e orientação em escolas, que atingem de crianças a universitários. ''Sabemos que é um trabalho que vai dar resultados somente a longo prazo, mas só a conscientização pode reduzir essa violência'', salienta Genilda Stabile.

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