Negligência de dentistas dificulta reconhecimento de corpos, diz IML
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sábado, 10 de dezembro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O reconhecimento de corpos desfigurados, que poderia ser uma tarefa simples, tem sido demorado e custoso em Londrina. O chefe administrativo do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, Fernando Piccinin, denunciou que o órgão raramente consegue fazer exames de arcada dentária, porque muitos dentistas não guardam a documentação de seus pacientes.
Foi o que ocorreu com a suposta vítima de um acidente na PR-445, Zona Sul de Londrina, ocorrido na tarde de anteontem. Um veículo Parati explodiu após colidir com um caminhão, ficando completamente destruído. Impossível de ser identificado no ato, o corpo do motorista foi levado para o IML.
Mais tarde, com base nas cirscunstâncias e em objetos da vítima, como um celular e um cinto, familiares a reconheceram como sendo o técnico agrícola Toshio Ueda, 57 anos, de Tamarana.
Embora a identidade da vítima esteja quase certa, o chefe do IML afirmou que não pode declará-la como oficial enquanto não tiver uma prova biológica. Ele contava fazer a acareação de arcada dentária de Ueda, que garantiria a comprovação imediata, mas esbarrou na falta de documentação. ''A dentista que fazia o tratamento do seo Toshio não guardou a pasta do paciente. Isso tem sido muito comum, apesar de haver uma lei federal que obriga os dentistas a guardarem a documentação de seus pacientes por 20 anos.''
Sem a possibilidade de fazer o confronto com os moldes dentários, a única alternativa é o exame de DNA. Estes demoram no mínimo uma semana para ficar prontos, se forem feitos em laboratórios particulares de Londrina, e até 30 dias se forem encomendados à Polícia Científica de Curitiba. ''Além da demora, isso gera uma despesa muito maior para o Estado. Um DNA de sangue custa de R$ 500,00 a R$ 1 mil, enquanto o de osso chega a custar R$ 10 mil'', ressaltou.
Segundo o diretor da Comissão de Ética do Conselho Regional de Odontologia (CRO), César Campagnoli, o prontuário é um documento de extrema importância para o dentista e para o paciente. ''O prontuário deveria ser arquivado por todo o tempo em que o profissional atuar. No nosso Código de Ética há um artigo dizendo que todos os dentistas devem ter e manter em boas condições seus prontuários, mas infelizmente ainda tem profissionais que não fazem isso. Não temos como controlar o procedimento adotado por 15 mil profissionais, mas isso é um erro.''
Campagnoli disse ainda que não sabia do problema, mas que entrará em contato com o IML de Londrina, por meio da fiscalização do CRO, para averiguar o caso. (Colaborou Fernanda Borges)


