Negligência atrapalha trabalho de peritos
A diretoria do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina informou ontem, durante reunião com a cúpula de segurança pública da cidade, que 60% dos locais onde ocorrem crimes não estão sendo preservados antes de haver a coleta de pistas.
Tanto o chefe do IC, Darci Dória, quanto o chefe-adjunto, Geraldo de Oliveira, destacaram que as provas recolhidas em muitos casos não têm sustentado acusações contidas nos processos. ''Temos casos de policiais recolhendo a arma do crime para levar à delegacia e pessoas circulando no local sem autorização. Não está se fazendo o isolamento necessário'', comentou Dória, sem esclarecer se as atitudes ineficientes eram da Polícia Civil ou da Militar.
O diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ademar Consalter, destacou outra situação prejudicial ao andamento dos casos: o excesso de liberação de termo circunstanciado para suspeitos que afirmam serem dependentes de drogas. ''A maioria dos crimes tem sido feita por menores que se declaram viciados. É preciso avaliar com calma os casos que envolvem suspeitos de alta periculosidade'', explicou Consalter, destacando que os cerca de 1,2 mil exames toxicológicos já realizados este ano (em 2001 foram 1.850 laudos) apontam suspeitos envolvidos em dois ou mais crimes.
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Pedro Marcondes, o fim dos termos circunstanciados não solucionaria a criminalidade da cidade. ''Se retirarmos os termos, vamos ter mais lotações nas cadeias. Isso provocaria o caos nas delegacias'', apontou Marcondes.





