O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), anunciou que vetará o projeto de lei que proíbe a terceirização da coleta de lixo na cidade. De autoria do vereador Flávio Vedoatto (PL), o projeto aprovado pela Câmara previa, na prática, a municipalização do serviço após o vencimento do contrato com a empresa Vega Ambiental, no próximo mês de junho.
A medida foi divulgada ontem, durante visita do prefeito ao Aterro Sanitário, popularmente conhecido como ‘‘Lixão’’ de Londrina, no Bairro Limoeiro (zona leste). Acompanhado pelo presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), Wilson Sella, e pelo presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Luiz Eduardo Cheida, ele explicou que o projeto foi vetado porque a decisão sobre o destino da coleta deve ser discutida com a população.
Conforme o prefeito, a municipalização não é o melhor caminho. ‘‘Acho, inclusive, que assumir o serviço custaria mais caro para a prefeitura’’, comentou. Ele também disse que vai estimular a criação de Organizações Não-Governamentais (ONGs) para envolver a população no debate sobre a importância da reciclagem. ‘‘Decretos não separam lixo, mas a educação ambiental separa’’.
Em junho, será aberta uma licitatação para selecionar a empresa que ficará responsável pelo lixo após o encerramento do contrato com a Vega. O vencedor do processo licitatório vai assumir, junto com a coleta, a responsabilidade de promover a reciclagem do lixo. ‘‘O contrato vai prever metas de reciclagem a serem cumpridas, inclusive com possibilidade de multa se o volume estabelecido não for alcançado’’, explicou o prefeito.
A Vega cobra R$ 57,00 por tonelada de lixo recolhida, um dos preços mais caros do País. Para Nedson, o valor é alto diante da qualidade do serviço prestado, sem coleta seletiva ou reciclagem. Sobre a construção de um novo aterro sanitário para acabar com o problema de superlotação do atual Lixão, Nedson afirmou que o ideal é não haver necessidade de aterro. A intenção, segundo ele, é implantar coleta seletiva em todo o lixo, estinguindo a produção de resíduos.
Enquanto as medidas previstas não forem implantadas, ele pretende amenizar a superlotação ocupando uma área em litígio ao lado do aterro, cuja desapropriação não se efetivou por oposição do proprietário. ‘‘Mas se a área não for liberada, teremos que procurar outro lugar, para evitar a contaminação do lençol freático da região’’, disse.
Uma usina de reciclagem e compostagem comprada pela prefeitura em 1996 também será aproveitada pela atual administração para transformar resíduos orgânicos em adubo. Adquirido por R$ 1,2 milhão, o equipamento está pago mas continua guardado no galpão da empresa fabricante, em Cornélio Procópio.
Nedson anunciou que a coleta de lixo será alvo de uma auditoria, com investigação dos serviços prestados pela Vega e os preços praticados. A empresa informou ter R$ 7,8 milhões a receber da prefeitura, referentes a 1999 e 2000, mas o prefeito garantiu que só pagará dívidas que foram empenhadas.

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