O prefeito Nedson Micheleti (PT) quer manter por mais um anos os camelôs no trecho interditado da Avenida São Paulo, no centro da cidade. Ao mesmo tempo, declarou de utilidade pública a área de 3.187,42 metros quadrados da empresa Inter-Continental de Café, na esquina da Avenida Leste-Oeste com a Rua Bahia, para instalar no local o futuro Shopping Popular para os camelôs.

O projeto de lei pedindo autorização para desafetar de uso comum o trecho da Avenida São Paulo onde foi construído o segundo camelódromo da cidade foi encaminhado ontem pelo prefeito à Câmara. Pela proposta de Nedson, o quarteirão da rua será desafetado de uso comum do povo e transferido em permissão de uso para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), pelo período de 12 meses.

O decreto que declara de utilidade pública a área da Inter-Continental engloba seis terrenos, somando quase 3,2 mil metros quadrados, para desapropriação amigável ou judicial. O documento inclui ainda todas as benfeitorias existentes nos imóveis.

Ontem, na Câmara, apenas três donos de barracas no camelódromo da Avenida São Paulo apareceram para prestar esclarecimentos à Comissão Especial de Inquérito (CEI). O vereadores haviam convidado seis pessoas aleatoriamente, para falarem sobre a licença provisória emitida pela
CMTU para a instalação do camelôdromo. A CEI foi formada no dia 9 de outubro para investigar a venda irregular de pontos no camelódromo.

O vereador Henrique Barros (PDT), que preside a comissão, disse que os depoimentos ''chegaram prontos''. Mesmo assim, ele informou que foi possível perceber que os camelôs desconhecem o trabalho e reclamam da atuação da Organização Não-Governamental Nova Canaã, na administração do camelódromo. O vereador garantiu possuir informações de pessoas que já passaram por quatro barracas, de outras que pagaram taxas de aproximadamente R$ 300,00 e até de quem recebeu os pontos ''de presente''.

Os vereadores pretendem terminar as investigações até o final do ano e elaborar sugestões para a solução do problema. O vendedor Cícero Domingues das Neves, que participou da reunião, alegou que desconhece qualquer negociação de barracas.
Mas ele admitiu que alguns camelôs não tiveram condições de pagar os R$ 312,00 referentes à estrutura metálica da barraca, e por isso, passaram o ponto para outros.

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