O prefeito Nedson Micheleti (PT) considerou a operação de apreensão de CDs e fitas cassete piratas, realizada ontem no Camelódromo, ''inoportuna e de total insensibilidade''. Ele disse que iria pedir ao secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, para que a Polícia devolvesse as mercadorias apreendidas. ''Elas devem ser devolvidas aos camelôs. Quantas fábricas de CDs piratas foram fechadas por estarem fora da legalidade?'', questionou ele, durante reunião de emergência realizada ontem à tarde, na Câmara de Vereadores, para discutir o assunto.
Para Micheleti, a operação foi mal-planejada. ''Se não querem ajudar, não deveriam atrapalhar'', complementou. Segundo o prefeito, não há como a administração se responsabilizar pelo ressarcimento dos camelôs que sofreram prejuízos.
Em resposta ao prefeito, o secretário José Tavares disse que a lei deve ser cumprida. ''Existe o compromisso do governo de combater a pirataria'', afirmou. Ele solicitou que o delegado-chefe da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, acompanhe a situação em Londrina para que possa haver um bom entendimento.
Se houver nova fiscalização e apreensão de mercadorias, disse o presidente da ONG Canaã, Rogério Gonsalez, os camelôs não irão para o Shopping Popular. A transferência estava marcada para o final do mês.
Hoje, às 9 horas, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, volta a se reunir com os 12 camelôs 10 da Avenida Leste-Oeste e dois na Avenida São Paulo que tiveram os produtos apreendidos pela Polícia. Ontem à tarde, depois da reunião na Câmara, que lotou as galerias do Legislativo, Sella informou aos atingidos diretamente pela fiscalização que o prefeito estava tentando a liberação das mercadorias. ''Não será fácil devido à contravenção'', reconheceu Sella.
A ambulante Ana Maria costa Gomes solicitou que ''se a CMTU e a administração municipal livrarem a gente do processo já está de bom tamanho. Arcamos com o prejuízo'', admitiu ela. ''Torço para que isto (devolução dos CDs) aconteça e agradeço o empenho do prefeito, mas, particularmente não acredito que possa acontecer'', comentou o camelô Ulisses Sabino Nogueira
A presidente da Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), Cleusa Maria da Silva, e Rogério Gonzales ainda acompanharam Sella até um encontro com o diretor do Fórum, juiz Mário Azzolini. ''Apresentamos a ele (Azzolini) nossa preocupação em garantir o andamento do processo de legalização dos camelôs até o dia 30 de dezembro, quando faremos a inauguração do Shopping Popular (novo camelôdromo)'', esclareceu Sella.

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