Nedson critica Infraero e cobra definição sobre ILS
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quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
''Se a Infraero quer ou não quer instalar o ILS, que deixe isso bem claro. A prefeitura está fazendo a sua parte''. Essa foi a afirmação do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), diante das dificuldades encontradas para a implantação de novos equipamentos no aeroporto da cidade. O representante das Indústrias Carambéi S.A. em Londrina, empresa cuja desapropriação de terreno e benfeitorias está entre os maiores impasses do projeto, reafirmou ontem que não está havendo contato algum para discutir o problema.
Micheleti demonstrou revolta ao falar sobre o assunto ontem, um dia depois do encontro que reuniu o secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, e a superintendente do Aeroporto de Londrina, Rosemayre Malhorquim Ferreira Correa, além de coordenadores e técnicos de ambos os órgãos. Em um relatório chamado de ''definitivo'', engenheiros da Infraero apresentaram uma lista de exigências para ampliação da pista em 300 metros e reequipagem do local: novas desapropriações, desvio da Avenida Salgado Filho e a retirada de parte da escola da Carambeí, assim como uma caixa d'água e uma guarita. Para garantir as novas exigências, a prefeitura teria que desembolsar R$ 6 milhões. ''A Infraero banca desapropriações em aeroportos do Nordeste e aqui ficam pedindo tudo para a cidade. É importante lembrar que ela tem lucro em Londrina. Nada é gratuito'', criticou o prefeito, sem especificar os tais aeroportos.
O relatório apresentado anteontem pela Divisão de Controle de Espaço Aéreo (DCEA), derrubou a hipótese de manter a escola da Carambeí no local. Em pesquisas realizadas anteriormente, não haveria necessidade de desapropriar a área, que fica na cabeceira da pista. A superintendente destacou que a instalação do ILS (equipamento que auxilia no pouso e decolagem) sairá somente depois da regularização das áreas.
Durante a apresentação, Rosemayre lembrou ainda que o repasse dos lotes seria ''uma contrapartida'' para os investimentos da Infraero (estão previstos, para os próximos quatro anos, R$ 16 milhões). ''Sobre a destinação de recursos para aeroportos do Nordeste, devo dizer que, em 23 anos de trabalho, os municípios sempre cederam áreas para os projetos'', afirmou, anteontem, a superintendente.
O advogado e procurador da Carambeí, Carlos Henrique Schiefer, disse ontem que ficou sabendo da reunião pela imprensa e que não foi informado oficialmente de qualquer decisão. ''Como sempre, estamos abertos ao diálogo, mas nunca participamos destes encontros. A diretoria da empresa não vai se manifestar sobre o relatório até que o documento seja enviado oficialmente a nós'', resumiu, destacando que a escola que está funcionando no prédio cedido pela Carambeí não seria um problema. ''Temos um acordo com a diretoria da escola. O fato dela ter um alvará de funcionamento não impediria a sua saída, já que o aeroporto é de interesse público.''
A Folha procurou ontem a superintendente a Infraero, mas ela estava viajando.


