Nedson acha absurdo o caso dos caixões
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sexta-feira, 13 de julho de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, acha um absurdo que os caixões da Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) sejam reaproveitados várias vezes. Ele tomou conhecimento das denúncias sobre as condições de trabalho na autarquia através de reportagem da Folha. Segundo Nedson, a situação é grave e precisa ser sanada imediatamente para não prejudicar a saúde dos funcionários. A superintendente Cláudia Prochet, afirmou ele, deveria ter solucionado o problema antes dos funcionários denunciarem o caso à Folha.
Apesar da preocupação do prefeito, os servidores municipais da Acesf continuarão utilizando os caixões de madeira para remover cadáveres, pelo menos até o próximo mês, apesar do alerta de um médico infectologista e do secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes. A superintende da Acesf, Cláudia Prochet, afirmou que somente na próxima licitação para compra de material, provavelmente em agosto, é que vai incluir caixões com revestimento interno de zinco.
A superintendente assegurou que antes de efetuar a compra irá ouvir recomendações da Vigilância Sanitária e da Medicina do Trabalho. Cláudia disse que ainda não sabe que tipo de caixão para transporte irá comprar, mas afirmou que está ouvindo a opinião dos servidores. Alguns deles teriam sugerido que fossem adquiridos urnas de fibra de vidro, principalmente por serem mais leves.
Atualmente, os funcionários usam os mesmos caixões de madeira para trasladar pessoas falecidas de morte natural, acidentados e corpos em decomposição. Por isso ficam expostos a doenças, já que a madeira das urnas funerárias, impregnada de sangue coagulado e materiais orgânicos biológicos, não pode ser higienizada.
Ontem, nenhum técnico da Vigilância Sanitária esteve na sede da Acesf para averiguar as denúncias dos servidores públicos, que temem ser contaminados pelos resíduos existentes nos caixões. Segundo o gerente da Vigilância, Marcelo Viana de Castro, a fiscalização deve ser realizada no início da próxima semana.
Na opinião de Cláudia Prochet, os riscos de contaminação dos funcionários é quase inexistente. Ela disse que desde a fundação da Acesf, há cerca de 24 anos, nunca houve nenhum caso de doenças infecciosas entre os empregados. São usadas nove caixas de luva por semana, afirmou a superintendente.
As providências do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) também devem ser tomadas a partir de segunda-feira. De acordo com a presidente do sindicato, Marlene Valadão Godoi, uma comissão irá ouvir todos os funcionários e convocar uma reunião com a superintendência e com o médico do Trabalho responsável pela saúde dos servidores públicos. Os servidores transportam os caixões em carros sem divisória. Em um dos carros da autarquia, a Folha verificou que os bancos do motorista e do preparador estão rasgados, devido ao contato com os caixões.
Um funcionário da Acesf, que preferiu omitir o nome, procurou a Folha para denunciar problemas de coluna. Segundo ele, o peso dos caixões e a falta de equipamento apropriado na remoção faz com que os preparadores de corpos e os motoristas tenham constantes dores nas costas. De acordo com o funcionário, existem cerca de 11 preparadores na Acesf. Prochet confirmou que os funcionários reclamam de dores na coluna, mas as licenças médicas apresentadas por eles são oriundas, na maioria das vezes, de causas externas.
Outros funcionários reafirmaram ao jornal que os indigentes sem família ou cadáveres sem condições de velar são enterrados durante a noite. Não é muito frequente, mas de vez em quando acontece, garantiu. O funcionário informou que já ajudou a enterrar quatro ou cinco indigentes à noite. Anteontem, a superintendente da Acesf negou a denúncia e comentou que enterro durante a noite é fantasia.


