Natureza morre sob o fogo cerrado
Paulo Pegoraro
De Rio Bonito do Iguaçu
O fogo castiga um dos mais importantes ecossistemas do Estado, às margens do Rio Iguaçu, entre o oeste e o sudoeste paranaense. As chamas podem já ter consumido até 20% de uma reserva florestal de 3,2 mil hectares, formada por espécies como marfim, mogno, cedro e peroba, cobiçadas por madeireiros, mas preservadas ao longo do tempo.
Em outra região do Paraná, na divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul, O Parque Nacional de Ilha Grande, no Rio Paraná, também arde em chamas. Sobreado pelo ministro do Meio Ambiente José Sarney Filho na última sexta-feira, Ilha Grande, naquela data, já havia perdido 60% de sua vegetação nativa com o fogo.
Os incêndios podem ter destruído exemplares da fauna não mais encontrados em outros área de preservação, principalmente no oeste e sudoeste. Animais e aves foram cercados por centenas de focos de incêndio.
À distância, a fumaça sumiu com o céu, o horizonte, as matas e junto com o calor, afugenta as chuvas ainda distantes, que se formam no Extremo-Sul do País.
Um carro pára à margem da BR-158, que atravessa a região em chamas. Duas mulheres descem, arrancam arbustos, e tentam apagar chamas na reserva. O gesto é inútil, pois nem os bombeiros obtém êxito.
Do outro lado da rodovia, mais fogo, que se espalha pelos assentamentos Marcos Freire e Ireno Alves dos Santos, onde vivem cerca de 1,5 mil famílias. Em um dos lotes, Paulo da Silva, 35 anos, observa a vegetação e o barraco de lona queimados.
Paulo salvou algumas roupas, e, por precaução, mandou os cinco filhos menores para a casa de parentes. Eles recebe ajuda da prefeitura e da Igreja Assembléia de Deus, de Rio Bonito do Iguaçu, município em situação de emergência declarada pelo prefeito Leonel Schmitt (PMDB).
Daniel dos Santos, 55 anos, seis filhos, já tinha a madeira pronta para construir sua casa. O fogo queimou o material. Na terra de Daniel queimou ainda um trator antigo e uma carregadeira, que pertenciam a um cortador de árvores. Deu uma explosão, diz o filho, Eurico, 22 anos.
No quartel general dos bombeiros, próximo à barragem da hidrelétrica de Salto Santiago, o capitão Carlos Alberto da Silva diz que seu pessoal faz gigantesco esforço, mas reconhece que as chamas, infladas pelo vento, são invencíveis.Cenas mostram os efeitos do fogo: uma casa no meio da vegetação queimada, o lago coberto pela fumaça, a tristeza das pessoas...
Fotos Edson MazzettoAs chamas ardem e acabam com a vegetação, iluminada pelo solA fumaça esconde as águas do lago da represa de Salto SantiagoA casinha, isolada no meio da vegetação queimada (esquerda); à direita, Daniel dos Santos e o filho EuricoO sem-terra Paulo da Silva, desolado: barraco queimado





