Natureza alivia rotina do dia-a-dia
Nada de stress. Isso é o que algumas escolas buscam através do contato com a natureza, métodos alternativos de ensino e estímulo, brincadeiras e até aulas de religião. Algumas são radicais chegando a defender que o excesso de informação pode ser prejudicial ao desenvolvimento emocional da criança. Outras escolas seguem o sistema tradicional de incentivo a cursos de inglês e informática, mas colocando também a religiosidade como parte da formação.
O diretor do Colégio Bom Jesus da Aldeia, frei João Crisóstomo Arns, diz que o colégio tem a proposta de restabelecer o equilíbrio emocional que se perde com a massificação dos homens. Os bosques com trilhas e açudes são usados como laboratório vivo e uma fazendinha pedagógica mostra às crianças de onde vêm o leite, as verduras e até os ovos. O frei admite que ao saírem da escola ecológica e católica os alunos sofrem um choque com a realidade do mundo lá fora, mas garante que os valores humanos desenvolvidos lá fazem com que o homem resista a tudo.
Mariah Buschmann de Moura, 7 anos, chama a atenção pela desenvoltura ao falar e diz que o contato com a natureza é importante para renovar as energias. Ela conta que gosta muito das aulas de informática, porque o computador é como a televisão. A diferença é que a gente não fica só olhando e pode fazer coisas com ele. Adriano Alves Stephanello, 7, diz que se interessa muito pela natureza e fala com autoridade sobre os efeitos do fenômeno El Ni¤o, que está pesquisando, sobre o comportamento das plantas.
A veterinária e professora universitária Rosana Moraes e o marido Flávio Chiossi, que é gerente comercial, decidiram colocar os dois filhos mais velhos no colégio por causa do contato com a natureza, na esperança de que as crianças fiquem mais calmas. Não adianta se obrigar a passar o tempo todo com a criança se a realidade da vida da gente é estressante. Nós estávamos passando todo o nosso stress para elas, diz Rosana.
A escola de recreação e iniciação artística Cordão Dourado enfatiza a importância do brincar no desenvolvimento da criança. A escola trabalha com grupos pequenos de crianças de um a seis anos e segue o método alemão Waldorf, criado por Rodolf Steiner no início do século. O instrumento de origem filandesa Kantelê, parecido com uma cítara ou harpa, é utilizado para acalmar e estimular as crianças durante a programação. Elas são chamadas a brincar no quintal, ajudar a guardar os brinquedos ou a se preparar para as refeições com cânticos apropriados.
Os brinquedos são feitos na própria escola, com madeira ou lã pura, bem simples para que as crianças possam complementá-los com sua própria imaginação. Um pedaço de pano pode ser uma barraca ou a capa do príncipe. Um pedaço de madeira pode ser um telefone ou um carrinho, depende da imaginação, explica o dono da escola, Angelo Comasseto.
As professoras Angélica Quineto e Elisabeth Sobierajski explicam que a proposta é fugir do excesso de informação imposto à criança moderna e desenvolvê-la emocional e espiritualmente. Isso se faz respeitando cada fase no desenvolvimento da criança. Ela precisa rastejar e engatinhar, por exemplo. Pular etapas ter reflexos na vida futura desta pessoa, diz Angélica.
Seja qual for a proposta da escola, as famílias e os próprios estudantes, a partir de uma certa idade, podem optar pelo equilíbrio. Bruno Caprilhone, 15, já fez Kart, natação e Handebol, mas diz que encara as atividades como lazer e não gosta de se sobrecarregar. Todo dia passeio com o meu cachorro e até passo o dia todo no colégio, mas jogando handebol com meus amigos. Gosto de sair, conversar e se tiver que fazer cursos para me profissionalizar vou fazer opções. Não quero fazer tudo ao mesmo tempo, conclui.





