NATUREZA - Beleza suntuosa
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Marta Ortega<br> Reportagem local 
Não basta apenas passar por algumas ruas. É preciso prestar atenção. Desde meados de dezembro até o final deste mês, Londrina está sendo contemplada pela beleza das paineiras, que logo chegam ao fim da florada. Antes das folhas caírem, poderemos apreciar a beleza dessa árvore ornamental, espalhada por vários cantos da cidade.
A grandeza da planta contrasta com a delicadeza da forma como ela é fecundada. E é nesse momento que mais uma vez percebemos o quanto a natureza é perfeita. Segundo o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Walter Miguel Kranz, o vento transporta a pluma em forma de um pequeno guarda-chuva, que dentro carrega também uma pequena semente. Por ironia, é uma das sementes mais pesadas nesta forma de fecundação, pesando em média, 0,2 grama.
Dessa pequena semente surge a grande árvore ornamental, que com dois ou três metros (altura que atinge com dois ou três anos), já começa a florescer. A planta pode chegar a 30 metros de altura se crescer dentro da mata. Em áreas como sítios, fazendas ou mesmo na beira da estrada, a altura máxima é de até 15 metros. Apesar da diferença de tamanho, a beleza das flores é igual. Elas são grandes, com cinco pétalas, cores contrastantes, que misturam um branco rajado na parte central e a coloração lilás do centro até a extremidade.
A árvore é bem copada, de sombra agradável, suave, mas a madeira é de baixa durabilidade natural. ''É uma madeira leve, mole, pouco resistente, utilizada para produção de canoas, cochos, caixotes e artesanato'', explica Kranz, por isso não é industrializada. O pesquisador afirma que, em tempos passados, sem muita opção, a pluma da paineira foi muito utilizada para encher travesseiros, colchões e cobertores, processo hoje substituído pela tecnologia.
Por ser uma árvore de pouco valor comercial, mas de crescimento rápido, entra no processo de formação de muda para reflorestamento. Nós, meros apreciadores, aproveitamos dela a sombra e a beleza. E precisa mais?


