Natália encontrou uma heroína
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sábado, 29 de março de 2008
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Natalia Hernandes, 16 anos, encontrou na madrastra a mãe que havia perdido aos 8 anos. ''Ela é tudo para mim, tudo o que sou agradeço a ela, que é minha heroína e está sempre do meu lado me ensinando, me fazendo feliz'', justificou a adolescente, que até chama a madrasta de mãe.
A adolescente lembrou que quando o pai se casou, ela e os dois irmãos mais velhos foram morar com o casal. E no começo a adaptação foi difícil. ''Eu era muito ligada à minha mãe e fiquei ofendida quando ela me deixou, perdi o chão, mas meu pai sempre foi uma referência para mim, adorava morar com ele.''
Rita de Cássia Mangabeira Hernandes, 39, a ''boadrasta'', explicou que foi preciso ter ''fé e força'' para conquistar a enteada. ''Não era questão de aceitar porque não tínhamos outra alternativa. No começo, ela era muito rebelde, mas depois de uns três anos ela entendeu que eu não queria substituir, mas ajudar.''
Quando assumiu a nova família, Rita tinha 29 anos e nenhuma experiência em lidar com crianças. Ela decidiu começar do zero, lendo livros e levando todos ao médico para um check-up. ''O amor ao meu marido foi maior que tudo. Quando se ama uma pessoa, deve-se amar tudo o que vem com ela'', ensinou.
A dona de casa conheceu o marido quando os dois ainda trabalhavam juntos num banco, em Ribeirão Preto, no interior paulista. O casal já está junto há nove anos e há quatro vive em Londrina, com Natalia e o filho de quatro anos. ''Ele é o xodó da família, traz alegria para a casa'', definiu a irmã coruja.
''Tenho orgulho da minha história e agradeço a Deus pelo resultado, que é muito gratificante. O maior prazer da minha vida é ver a evolução das crianças. Eles poderiam ser revoltados mas são responsáveis, têm um objetivo na vida'', concluiu Rita.
Também agradável é o relacionamento entre Magali Vargas do Nascimento, 38, e as duas enteadas, filhas do primeiro casamento do marido, com quem está junto há apenas um ano. ''Quando decidimos nos casar elas já eram adultas, uma delas até casada. Elas aceitaram numa boa, até ficaram contentes pelo pai'', declarou Magali, que também tem um filho do primeiro casamento.
''Entre namoro e noivado ficamos juntos quatro meses antes de nos casarmos, mas hoje somos uma família feliz. Meu marido me ajuda muito na educação do meu filho. Para ele, o Caio é o filho que ele nunca teve. Ele tinha o sonho de ter um menino e ganhou um preparado para ele.'' (M. G.)


