Natal solidário - Londrina quer presentear carentes
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de dezembro de 1997
Benê Bianchi 
Londrina
Dorico da SilvaEli Lombardi e Dulce Tavares: doação envolveu o condomínioNesses últimos dias do ano, Londrina se transformou numa grande fábrica de Papai Noel. Escolas, empresas, condomínios, associações estão se mobilizando para mudar, pelo menos por alguns momentos, a rotina de famílias carentes neste Natal. Cada um colabora como pode. Uns doam tíquetes que se transformam em compras para formação das cestas básicas. Outros doam brinquedos ou sucatas que, nas mãos de habilidosos restauradores voluntários, ficam parecendo brinquedos tirados da loja. Há ainda os que doam livros ou jogos novinhos em folha.
Com toda a mobilização da comunidade, a expectativa é que nove mil famílias ganhem cestas básicas e mais de 30 mil crianças recebam a visita do Papai Noel. Possivelmente, as crianças nem venham a saber toda trajetória dos presentes até que cheguem a elas. Embora todos os anos centenas de pessoas se dediquem à arrecadação e distribuição de brinquedos, em 97 o envolvimento da comunidade tem sido visivelmente maior.
As cartilhas distribuídas pelo Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), através da campanha O Natal que a gente faz, foram a base para que muitas entidades, escolas e até condomínios integrassem o movimento de arrecadação por toda a Cidade. Em alguns casos, além de informar sobre as doações, as cartilhas serviram para aprofundar as discussões e reflexões sobre o nascimento de Jesus.
Foi o caso do Colégio Marista de Londrina, que arrecadou mais de dois mil brinquedos. A diretora-adjunta do colégio, Marize Rufino, conta que, dos 2,1 mil alunos, participaram da campanha 1,6 mil da pré-escola à 8ª série. A participação foi grande e nos trouxe muitas surpresas. Se tivéssemos chegado e, simplesmente, distribuído o material entregue pelo Provopar, talvez não tivéssemos alcançado o objetivo da campanha em sua essência, comenta Marize Rufino.
Segundo ela, o texto da cartilha foi discutido em sala de aula pelos professores de Língua Portuguesa ou de Ensino Religioso, enfocando a importância da solidariedade e da fraternidade. O resultado foi a participação, na campanha, de praticamente todos os alunos envolvidos no trabalho.
O que nos chamou a atenção foi que muitos alunos iam até a sala onde os brinquedos estavam sendo guardados para se despedir deles. Isso significa que eles se desfizeram de coisas que estavam em uso. Portanto, o trabalho de reflexão sobre o tema trouxe bons resultados. Atingimos na plenitude o objetivo da campanha, observa Marize Rufino. Do total de doações feitas pelos alunos, 1.500 brinquedos foram entregues ao Provopar e 500 à campanha desenvolvida pelos Irmãos do Juvenato Marista.
Mesmo quem tem pouco não se omitiu. Na Escola Municipal Mábio Gonçalves Palhano, no parque Ouro Branco (zona sul), a diretora Eiko Regina Oguido teve dúvidas da participação dos alunos, que também são carentes em sua grande maioria. Achei bonito o material, li e vi que no final havia o pedido de doações. Pensei: será que a gente vai conseguir arrecadar alguma coisa?
Mesmo descrente da participação, ela distribuiu o material. Para nossa surpresa, todos os dias chegavam crianças com sacolinhas cheias de brinquedos que não usavam mais. A diretora diz que as crianças levaram a discussão para casa e muitos pais vinham até a escola perguntar de que forma poderiam colaborar. Aprendemos que sempre há pessoas prontas a dividir o pouco que têm.
No condomínio Belle Ville, na zona sul de Londrina, o morador Eli Lombardi resolveu dar uma geral nos brinquedos dos filhos e manter em casa apenas o que estava em uso. O resultado foi a coleta de uma caixa enorme de brinquedos. Quando a perua do Provopar chegou em sua casa para buscar a doação, o motorista agradeceu a colaboração do condomínio.
Eu respondi a ele que aquelas doações eram minhas, mas a observação dele me despertou para a possibilidade de mobilizar o condomínio para participar da campanha. Eli Lombardi bateu, então, em cada uma das 29 casas do condomínio para divulgar a campanha do Provopar. Foi colocada uma caixa na portaria do condomínio para que cada morador coloque sua doação.
Se uma coisa não serve para mim, serve para outra pessoa. O raciocínio é simples, natural, diz Eli Lombardi. A iniciativa do morador motivou a todos. A síndica Dulce Normandia Tavares ressalta a importância do envolvimento do condomínio. Achei a iniciativa maravilhosa e através dela vamos unir todos os moradores daqui em torno de um objetivo comum.
Para não deixar nenhuma criança sem presente no Natal, todos usam a imaginação. Na Escola Oficina de Londrina (Acalon), localizada no conjunto João Paz (zona norte), a direção mobilizou a comunidade para adotarcada uma das 135 crianças que estudam lá. A adoção consiste em cada família retirar uma ficha na escola, contendo dados sobre o aluno adotado para presenteá-lo.
Fazem parte da lista de presentes uma cesta básica, um tênis, um chinelo, uma bermuda, uma camiseta e um brinquedo, informa o auxiliar administrativo da escola, Nilton Acosta. Segundo ele, até agora foram distribuídas 128 fichas. (Colaboraram Carina Paccola e Cláudia Lopes)


