Natal sem folga, mas com alegria
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2003
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Reunir a família para a ceia em volta da mesa bem arrumada e recheada de guloseimas. Dormir bem tarde e acordar cedo para abrir os presentes deixados na árvore. Passar o dia comendo, bebendo, brincando com os filhos e conversando com aquele parente que há tempo não vê. Estas cenas fazem parte do Natal de muitos brasileiros, mas existem aqueles que precisam abrir mão de estar com a família para trabalhar.
Médicos, enfermeiros, motoristas de ônibus, taxistas, entregadores, garçons, cozinheiros, porteiros, jornalistas, policiais e muitos outros profissionais, passam algumas horas deste dia especial dedicando-se às suas profissões, muitas delas vitais para a sociedade.
Mas trabalhar no Natal não precisa ser ruim. A enfermeira Patrícia Marafon Moreira faz plantão nesta data há cinco anos e garante que trabalha com orgulho. ''Trabalho com meu pensamento ligado em casa, mas o espírito de Natal está presente e até dispenso mais carinho e atenção aos pacientes'', diz ela.
A família dela entende e apóia. ''Meu marido e eu passamos o Natal com nossos pais e irmãos. Uma reunião simples, com poucas pessoas, pois o que vale é estar junto'', conclui, torcendo para que no próximo ano a folga aconteça.
O taxista Vicente Geraldo Dias nunca tirou folga em 30 anos de profissão, mas não reclama. ''A família depende da gente e a gente, do serviço'', explica. Ele vai comemorar a data com um almoço em família e logo depois da refeição sairá para trabalhar. ''Encaro o Natal como um dia normal''.
O porteiro Jurandir Mendes, há 24 anos na profissão, escolhe trabalhar no Natal quando a data é durante a semana. ''Este ano me ofereci para trabalhar no Natal, mas ano que vem vou preferir folgar, pois vai cair em um sábado'', planeja.
Mendes trabalha pela manhã e depois almoça com a família. ''Quando eu chego em casa já está tudo pronto. Geralmente comemos macarronada e carne assada. Depois, descansamos a tarde inteira'', conta.
O médico Jonilson Favaretto não trabalha no Natal há sete anos, mas acha muito triste ter de dar plantão nesta época do ano. ''O Natal perde o encanto quando se trabalha, mas para animar o ambiente, me reunia com os colegas e fazíamos uma pequena comemoração enquanto esperávamos um possível chamado'', lembra.
Para o moto-taxista Magany Alves de Lima, que faz corridas durante a noite, trabalhar no Natal não é tão ruim. ''Participo da ceia com a minha família e depois saio para trabalhar e no dia seguinte ainda posso participar do almoço''.
Para compensar o pouco movimento do dia de Natal, Lima cobra mais caro pelas corridas. ''O período das férias é o mais perigoso para trafegar em Londrina e temos que ter um cuidado extra no trânsito'', analisa o moto-taxista, que gostaria de não ter de trabalhar nesta data. ''Minha esposa não gosta que eu trabalhe. Por ela, pegaria férias entre o Natal e o Ano Novo'', declara ele, lembrando que o sacríficio de uns faz a alegria de outros.


