As dúvidas sobre a presença do Papai Noel com seu saco de presentes se transformaram em alívio ontem, na festa de final de ano do Centro Promocional e Creche Aracy Sabino dos Santos, localizado no Conjunto Cafezal II (Zona Sul de Londrina). Até três semanas atrás, a direção da instituição não sabia se iria conseguir repetir neste Natal uma prática adotada há 17 anos, de conseguir ''padrinhos'' para cada um dos alunos, que se responsabilizam por comprar-lhes um brinquedo, uma roupa e um par de sapatos novos.
Mas a solidariedade falou mais alto e novamente o ritual se repetiu. Um Papai Noel voluntário e disposto a dedicar uma tarde acalentando o sonho de 205 crianças chegou tocando seu sininho e pronunciando o tradicional ''ho-ho-ho''. Nos rostos pequenos, as expressões iam de olhos arregalados a choro, no caso dos que nunca haviam se deparado com o velho de barbas brancas.
Naiara Gabriele Fagundes, de cinco anos, ficou sem fala ao abrir o pacote e ver que o seu pedido tinha sido atendido. Em entrevista à Folha, no dia 24 de novembro, ela contou que queria muito ganhar uma boneca com um carrinho onde pudesse carregá-la. A orientadora educacional Elenice Saviani, lendo a reportagem, resolveu ser madrinha de Naiara. ''Na mesma hora liguei para a creche. Minha filha tinha três carrinhos com os quais nunca havia brincado. Pensei: não é possível que uns tenham tanto e outros nada.''
Depois de alguns dias, Elenice telefonou novamente à instituição, perguntando se ainda havia crianças sem padrinhos, e ficou responsável por providenciar o kit para mais quatro alunos. ''Fiz questão de trazer pessoalmente, porque não é só o lado material, tem também o lado afetivo, essa coisa de poder olhar no olho de cada um.'' A educadora, que faltou ao trabalho ontem à tarde para participar da festa das crianças, também fez questão de levar junto a filha Vitória, de oito anos. ''Acho que é uma forma de ensiná-la a valorizar mais o que tem'', argumentou.
A presidente da creche, Neuza Sabino dos Santos, contou que na última hora ainda teve que correr para providenciar kits para quatro crianças maiores, que ficaram sem padrinhos, e para aquelas que ficaram sob a responsabilidade de voluntários que esqueceram do dia da festa. ''Todos os anos é assim, mas no fim dá tudo certo. Graças a Deus ninguém ficou sem presente'', comemorou.

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