Natal longe de casa
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Malas prontas, presentes em dia e muita expectativa para o reencontro com os familiares. Para quem mora longe de casa, essa reaproximação é um dos encantamentos do Natal, mas e para aqueles que estão a quilômetros de distância da família? Para essas pessoas, os amigos e a tecnologia, como o celular e as conversas instantâneas da internet, serão os grandes aliados para amenizar a saudade na data festiva.
O motivo principal é o fato do Natal este ano coincidir no final de semana em com isso, o comércio irá prosseguir quase que ''normalmente''. Por conta disso, muitos estão planejando as festas conformados em ter que deixar a ceia em família para bem depois. Como é o caso de Sara Hermógenes Silva, de 22 anos. A família mora em Campo Mourão (Noroeste), mas ela está em Londrina há quatro anos por conta da faculdade de Jornalismo.
''Não vou poder ir para casa porque consegui um emprego agora no final do ano'', comenta Sara, empregada há duas semanas em um salão de beleza. Apesar da distância ser curta - são cinco horas de viagem de ônibus -, Sara está levando em conta o cansaço. ''Vou trabalhar até a véspera de Natal e retorno já na segunda-feira. Seria tudo muito corrido'', justifica. ''Dessa vez, vou ter que me contentar com o celular para poder desejar um feliz natal para meus pais e irmãs'', comenta.
Esse será o primeiro Natal que Sara irá passar longe da família e dos amigos mais próximos. ''É uma sensação estranha, pois para mim a cidade está vazia, praticamente sem ninguém conhecido'', reclama ela, que divide o apartamento com outras três estudantes, que vão para a casa de familiares.
Apesar de distante de casa, Sara não vai deixar uma data festiva dessa passar em branco e contará com a parceria de um amigo que também não poderá ir para casa, no Interior de São Paulo. Juntos, eles pretendem cear algo diferente e se divertir em uma boate.
No Ano Novo, Sara já decidiu que irá encarar a estrada mesmo que seja para ficar em casa por pouco tempo. A única notícia que não é tão boa é que na virada do ano, ela provavelmente estará dentro do ônibus. ''A ideia não é nada agradável, mas compensa quando eu chego em casa'', diz.
Entre amigos
Enquanto muitos programam o descanso neste período, outros aproveitam para trabalhar e muito. Os músicos por exemplo, costumam ter a agenda de shows concorrida nesta época. Prova disso é a programação do paulista Edgar Nakandakari, de 30 anos.
Formado em Música pela UEL, Edgar não irá passar o final de ano com a família, como de costume, para animar a noite dos festeiros na véspera de Natal e na virada do ano. ''Todo ano vou para casa passar a data com minha família, mas dessa vez fechamos alguns shows aqui em Londrina e em Goiânia. Não vai ter jeito'', comenta o músico, nascido em Limeira (São Paulo), cidade onde reside toda sua família.
Há 11 anos, ele escolheu sair de casa para estudar em Londrina. E hoje, é integrante de quatro bandas locais que tocam diferentes estilos. Como Egdar não terá muito tempo para festar, pelo menos está planejando um jantar de natal entre amigos. Quanto à família, a saudade será amenizada através da internet. ''Pelo menos hoje em dia eu posso conversar on-line. Já é muito bom'', afirma.
Quem também terá que se contentar em passar a data entre amigos é a jornalista Anaísa Catucci, de 27 anos. Morando em Campinas (SP) há cinco anos, ela terá que encarar o primeiro Natal longe da família. ''Vou cear com a família dos meus amigos que moram aqui, mas confesso que estou triste em estar distante de casa e da reunião com meus pais e irmãos. O jeito vai ser falar pelo celular'', conta.
Os pais Solange e Osmar estão nos últimos preparativos para a festa que chega a reunir cerca de 60 familiares. ''Família não existe só nos momentos festivos. Esse momento profissional que ela está vivendo é tão importante, que a ausência não é tão ruim assim. Ela estará trabalhando como muitas outras pessoas que passarão o Natal se dedicando à profissão'', comenta o pai, orgulhoso.


