Guirlandas, pinheiro, laços, bolas e velas. Natal também é sinônimo de panetone, presentes, crianças e tradição. Quando chega esta época do ano muita gente decora a casa, prepara pratos típicos e vive o clima de Natal. Mas há aqueles que não se sentem à vontade com a data e com todos os costumes.
De acordo com a psicóloga clínica de Londrina, Etienne Gonze de Oliveira, o Natal é muito ligado à questão cultural. ''No Brasil temos o hábito de fazer ceia, comprar presente, estar em contato com a família ou com pessoas que nos sentimos bem'', disse. ''Porém, algumas pessoas simplesmente não se sentem ligadas a esta cultura'', acrescentou.
Em época de Natal há quem aproveite para enfeitar a casa toda e, de acordo com a psicóloga, a decoração do lar mostra a personalidade de cada um. ''Uma pessoa mais contida tem uma decoração neutra, já quem é mais extrovertido, comunicativo, vai demonstrar também na decoração. O Natal propicia isso'', afirmou. Ela explicou que geralmente as pessoas que valorizam a decoração da casa tiveram uma criação onde esta data era vista como importante para a família e que existe o sentimento de querer exteriorizar os sentimentos relativos ao Natal que de modo geral é uma coisa alegre.
Emocional
Ela afirmou que algumas pessoas sentem uma certa depressão com o Natal porque é uma data muito ligada ao emocional. ''Percebemos um maior sentimento de caridade, muitas pessoas passam a fazer no Natal coisas que não fizeram o ano inteiro até por uma questão cultural'', explicou. ''Por outro lado, é uma data muito comercial, diferente daquilo que pregam as religiões, isso pode gerar um sentimento de raiva''.
As tantas divergências sobre a maneira de encarar o Natal dependem de uma cultura e da situação que cada família está vivendo. ''Se uma família está em conflito, dificilmente as datas comemorativas serão agradáveis. Não apenas o Natal, mas todas as demais datas do ano'', disse a psicóloga. Para ela, não dá para tratar este assunto de forma coletiva. ''Se a pessoa gosta do Natal vai fazer bem para ela ouvir músicas, fazer ceia e reunir a família. O mais importante é que ela se sinta confortável com esta data; é importante que a pessoa se sinta bem''.
Balanço anual
A psicóloga não descarta que o ''balanço anual'' também interfere no estado psicológico das pessoas nesta época por conta do rito de passagem do ano. ''Muita gente faz uma meta durante o ano e quando não cumpre fica irritado, se sente incapaz, ou acaba ficando deprimido. A preocupação com as questões que envolvem o ano seguinte também contribuem com este sentimento'', disse Etienne.
Para evitar estas sensações, Etienne explicou que é importante estipular metas e criar expectativas de acordo com o que é alcançável e aos poucos ir caminhando em busca do objetivo. ''Criar uma expectativa de que o ano que vem será completamente diferente do que o anterior é complicado. Nem sempre esta situação vai se concretizar e há um trabalho que deve ser feito para isso, anda acontece de um dia para o outro'', lembrou.

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