Natal dos esquecidos
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2001
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Moradores de Londrina comemoraram as conquistas pessoais durante o Natal mas não esqueceram as dificuldades que a cidade enfrentou durante este ano. Para a maioria da população, o melhor presente que poderia receber reúne segurança,
moradia e ações sociais contra a pobreza e o desemprego. Em uma rápida circulada pelos bairros e avenidas centrais, foi possível encontrar ações positivas de entidades e voluntários, como o almoço beneficente realizado no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, na zona leste. ''É um trabalho voluntário que fazemos há 22 anos. Neste Natal, alimentamos 250 desabrigados na igreja e 65 detentos do 2º Distrito Policial'', comentou Gerson Gil, lembrando que cerca de 60 crianças ganharam brinquedos.
Para os idosos do Lar Maria Tereza Vieira, a noite de Natal também foi especial. Alunos de um cursinho montaram a árvore, conseguiram presentes e prepararam um lanche para os 45 internos do asilo. ''Para amanhã (hoje), os 22 estudantes voluntários vão preparar um almoço delicioso'', comentou a coordenadora Flávia Adriane Cabral.
Mesmo com algumas pessoas provando que o Natal não precisa ser comemorado somente no dia 25 de dezembro, para uma parcela considerável da população as comemorações de final de ano nunca chegam. As famílias dos índios Antonio e Jurandir Fidelcio, encontradas ontem pela reportagem, são representantes desses esquecidos. Morando sob um dos viadutos de Londrina, os caingangues tentam sobreviver vendendo artesanato e plantas ornamentais. ''A vida é sempre difícil, mas estamos bem e estamos juntos. Vamos tentar ganhar alguma coisa até o ano novo e voltar para à aldeia'', disse Jurandir, referindo-se à reserva indígena de São Jerônimo da Serra.
Ainda caminhando pelas ruas principais da cidade, foi possível encontrar bêbados que esqueceram até mesmo do nome, dormindo em esquinas, sob árvores e em locais ''exóticos'' como uma mesa de sinuca. Entre os que lamentam o Natal magro, estava o guardador de carro Sérgio Augusto Fonseca, de apenas 15 anos. Em pleno feriado santo, ele o pai lutavam para conseguir dinheiro extra durante dois enterros realizados no principal cemitério da cidade. ''Não ganhamos presentes, mas um parente nos deu um bom pedaço de leitoa. Depois de um almoço regado, tivemos que sair para trabalhar'', comentou Sérgio. Para a empresária Cristina Vivian Gavioli, 26, falta vontade política no País para garantir um final de ano melhor ao povo. ''Passamos por problemas econômicos, sem contar a pobreza e a violência. Londrina às vezes parece abandonada, sem espírito natalino'', lamentou Cristina enquanto circulava pelo Zerão.


