Natal de doação no Hemocentro de Londrina
Estoque de sangue, que cai substancialmente neste período do ano, depende do gesto solidário de doadores para seguir atendendo a demanda de 22 hospitais de Londrina e região
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de dezembro de 2020
Estoque de sangue, que cai substancialmente neste período do ano, depende do gesto solidário de doadores para seguir atendendo a demanda de 22 hospitais de Londrina e região
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

O fim de ano traz sempre um desafio para os bancos de sangue manterem seus estoques adequados. Ainda mais quando a instituição é responsável por atender uma demanda muito alta de hospitais, como é o caso do Hemocentro Regional de Londrina do HU (Hospital Universitário) da UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Ao todo, 22 hospitais que compõem a 17ª RS (Regional de Saúde) dependem das bolsas de sangue que são coletadas diariamente no Hemocentro. Entre eles, estão o HCL (Hospital do Câncer de Londrina), HU, Santa Casa de Cambé e Hospital São Rafael de Rolândia, na Região Metropolitana de Londrina. Por dia, são repassados, ao menos, 20 bolsas de sangue às instituições.
De acordo com a hematologista e hemoterapeuta, Cristina Akemi Fuziki, o final do ano já é marcado por uma queda no número de doações devido ao período de férias e viagens, no entanto, ela destaca que em 2020 houve um novo cenário. “Com a situação da pandemia, temos tido uma queda acentuada em nosso banco e, infelizmente, temos tido uma demanda aumentada de pacientes que precisam de transfusão de sangue por complicações da Covid-19, além de acidentes e outras emergências”, afirma.

Em relação ao primeiro semestre de 2020, o número de doadores caiu 25% nos últimos seis meses e o de bolsas coletadas, em torno de 20%. “Trabalhamos muito com doadores de repetição e assim, fazemos contatos com essas pessoas para que venham doar, desde que estejam bem de saúde”, conta.
'MELHOR DOAR'

Carlos Fernandes Costa, 54, é um deles. Há anos ele frequenta o Hemocentro de Londrina para colaborar. “Meu slogan é: melhor doar do que ter que receber”, brinca. Na véspera do Natal, ele fez a sua última doação do ano. “Eu recebi um presente que é poder doar. Não tem nada mais valioso que a saúde. Quantas pessoas dariam tudo hoje para ter saúde? Deus nos dá o melhor presente que é o dom da vida e o mínimo que podemos fazer é retribuir doando vida, pois sangue é vida”, ressalta.
O perfil de doadores do Hemocentro é de homens e mulheres entre 25 e 45 anos. Segundo a instituição, aqueles com mais de 60 anos estão sendo orientados a evitar sair de casa por uma questão de prevenção ao Covid-19.
“Estamos trabalhando muito para incentivar os mais jovens. Estamos no meio de uma pandemia e não sabemos como será o comportamento da doença nas próximas semanas”, comenta Fuziki, destacando que todas as medidas de segurança estão sendo tomadas no atendimento aos doadores.
PRIMEIRA VEZ
A jovem Ana Caroline Maciel, 24, resolveu doar sangue pela primeira vez na véspera de Natal. “Meu pai está vindo para Londrina fazer um tratamento de câncer e dessa vez viemos acompanhá-lo. Como uma amiga veio doar, ela acabou me convidando. Foi bem tranquilo e estou feliz em poder ajudar”, diz. A família é de Abatiá, no Norte Pioneiro.
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
O Hemocentro (rua Cláudio Donisete Cavalieri, 156) não funcionará no Natal (25) e Ano Novo (1). No sábado (26), o atendimento será das 8h às 17h30 e nos demais dias, das 13h às 18h30. Os interessados em doar devem fazer um agendamento pelo site www.saude.pr.gov.br/doacao, para que o Hemocentro tenha um controle de fluxo de pessoas.
Cada doador recebe um certificado digital, emitido cinco dias após a doação pelo SHT (Serviço de Hemoterapia) do Paraná.
PARA SER DOADOR:
- Estar em boas condições de saúde
- Ter entre 16 e 69 anos (menor de idade com consentimento formal do responsável legal e a presença do mesmo)
- Pesar no mínimo 50 kg
- Estar descansado e alimentado (evitar alimentos gordurosos nas 4 horas que antecedem a doação)
- Apresentar documento oficial de identidade com foto
IMPEDIMENTOS TEMPORÁRIA À DOAÇÃO:
- Gripe ou resfriado: aguardar 14 dias após a cura
- Diarreia: aguardar sete dias após a cura
- Durante a gravidez: 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana
- Amamentação: 12 meses após parto/cesárea (não pode doar enquanto for a única e principal fonte de alimentação do bebê)
- Ingestão de bebida alcoólica: nas 12 horas que antecedem a doação
- Tatuagem, micropigmentação e piercing: nos últimos seis meses (se piercing genital e/ou oral 12 meses)
- Tratamento dentário: período varia de um a sete dias
- Situações nas quais houve maior risco de adquirir infecções sexualmente transmissíveis, aguardar 12 meses
Fonte: Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná)


