O Natal deste ano terá um significado especial para a família Santana. Será o primeiro ao lado da filha Ana Lívia, de 6 anos, após o transplante de coração ao qual a menina foi submetida este ano. "Parece mentira que ela está aqui em casa. Quando os médicos falaram que ela ia entrar na fila de espera por um coração, imaginei que iria passar Natal e Ano Novo no hospital", contou Natania Renata de Souza Santana, de 25 anos, mãe de Ana Lívia.
As festas deste ano serão na casa da bisavó, em Porto Ubá, em Lidianópolis, no Vale do Ivaí. Ana Lívia está animada para encontrar a bisavó, os primos e os tios. Ainda não decidiu o que quer de presente do Papai Noel. Para Natania, o maior presente é ter a filha ao seu lado, se recuperando bem e longe do hospital.
Em 2014, a menina começou a passar mal no Natal, ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Ivaiporã, por sete dias e, em fevereiro, já internada no Hospital Infantil da Santa Casa de Londrina, foi diagnosticada com miocardite aguda. O transplante cardíaco era a única solução.
A doença inesperada mudou completamente a vida da família, que morava em Lidianópolis. Natania se mudou para Cambé e passava os dias no hospital. Foram quatro meses de espera por um doador. A esperança de uma vida nova para Ana Lívia veio de Joinville (SC). A família de uma jovem de 16 anos, vítima de atropelamento, autorizou a doação de órgãos.
Em menos de 12 horas de cirurgia, Ana Lívia estava acordada e se transformava na primeira criança a receber um coração no interior do Paraná. Natania tem vontade de conhecer a mãe da doadora. "Gostaria de saber quem é ela. Se não fosse o gesto dela de doar o coração, não teria a minha filha de volta", comentou.
Foram sete meses internada e, após receber alta, a menina agora segue uma série de restrições médicas. Passa por consultas a cada três semanas. Tem que usar uma máscara o tempo todo. Deve evitar contato com muitas crianças e precisou abrir mão de suas bonecas e ursinhos de pelúcia. Sobraram apenas alguns, que Ana Lívia arruma cuidadosamente em cima da cama. A decoração natalina também está vetada na casa da menina. "Os médicos aconselharam a não ter objetos que possam juntar poeira. Então doamos a maioria das bonecas e também não vamos montar a árvore de Natal", disse Natania.
Tímida e muito simpática, Ana Lívia gosta de brincar com a prima que mora em Cambé e está ansiosa para voltar para a escola. Ela está no primeiro ano do Ensino Fundamental e tem aulas em casa. "Ela ainda não pode ir para a escola e um professor vem aqui todos os dias dar aula para ela", explicou a mãe.
Natania não sabe como a filha contraiu o vírus que provocou a inflamação no coração. "Ela era uma criança saudável, que gostava de brincar com as outras crianças. De repente começou a sentir dores na barriga e ter vômitos. Não sei como ela pegou esse vírus. Mas agora estou mais atenta a tudo que ela faz", garantiu.

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