Mesmo com a grande evolução pela qual passou a medicina nas duas últimas décadas, o futuro de portadores de câncer já não depende exclusivamente de remédios, tecnologia ou viagens ao exterior. Para os pacientes do Instituto do Câncer de Londrina (ICL), a dedicação do grupo de 450 funcionários é o que faz a diferença na hora de enfrentar a quimioterapia, fazendo com que as 125 crianças atendidas pelo hospital na maioria, vítimas de leucemia desejem, neste final de ano, presentes como bolas, jogos ou roupas. O que elas vêem para os próximos anos é um futuro comum, com estudos, trabalho e família.
Parte destes presentes foi entregue ontem, em uma festa de Natal promovida pelo ICL em parceria com funcionários de empresas da cidade, na paróquia Nossa Senhora das Graças, no Jardim Petrópolis (Zona Sul). No evento, foram reunidas 80 crianças em tratamento ou que já receberam alta e passam somente por exames de rotina. Segundo uma das assistentes sociais do instituto, Celestina D'Epiro, o objetivo é tornar simples e comum as visitas que as crianças são obrigadas a fazer periodicamente ao hospital.
''A festa foi criada junto com a fundação do instituto, há 35 anos, e ajuda as crianças a deixarem de ver o hospital como um lugar de clima pesado. É um evento que transforma o instituto em apenas mais um lugar da rotina delas'', explicou Celestina. ''Além disso, festas como esta aproximam os pacientes dos profissionais e isto ajuda a diminuir o medo que as crianças podem ter do tratamento'', continuou.
No ICL, 95% dos 700 procedimentos diários são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que denota ainda mais a importância de se criar uma rotina saudável para os pacientes. ''São, na maioria, pessoas carentes, que precisam de apoio e que respondem muito melhor ao tratamento quando são recebidas com atenção'', acredita Cristiana Balalai, neta da fundadora do Instituto, Lucila Balalai, e voluntária do hospital.
A proximidade e o desejo de uma vida comum ficam óbvias quando se conversa com algumas das crianças que já passaram pelo instituto. É o caso da estudante da 8 série Karina Moreira Ferrarini, 13 anos. Ela descobriu a leucemia quando tinha nove anos, mas garante: não se assustou com a doença. ''Fui ao médico por causa de um caroço no pescoço e ele disse que era leucemia. Como a doença foi descoberta logo no começo, seria fácil tratar'', lembrou. Hoje, Karina só volta ao ICL para exames de rotina.
A doença, no entanto, não foi encarada da mesma forma pela dona de casa Solange de Oliveira, quando ela descobriu que o filho de 13 anos tinha leucemia. O susto de descobrir que uma doença inicialmente diagnosticada como hepatite seria muito mais séria, porém, foi deixado para trás, graças à atenção dedicada pela equipe do ICL ao pequeno Lucas. ''Parece hospital particular. Somos tratados com muito carinho'', afirmou.
Os comentários, que vão de encontro com os objetivos da festa, refletem a simplicidade dos pacientes do ICL. ''E é por isso que os presentes também são simples. Tudo o que estas crianças querem é uma vida comum'', disse Celestina.

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