As ruas da região central de Londrina estão tomadas não apenas pelos consumidores conferindo preços e comprando os presentes de Natal ou pelos trabalhadores que fazem seu trajeto tradicional do dia-a-dia, como também por alguns grupos indígenas e pedintes. Eles aproveitam o fim de ano e a sensibilidade que comumente aflora com o clima de festas para conseguir alguns trocados. Na quarta-feira pela manhã, a Folha contou pelo menos quatro pessoas pedindo esmolas em um trecho de pouco mais de 250 metros.
Na Rua Sergipe, não é preciso caminhar muito para encontrar pedintes. Dona Maria Aparecida Soares veio de Colorado (85 km ao norte de Maringá) há poucos dias. Pedia esmolas junto à entrada de uma loja de calçados. ''Vim aqui para o fim do ano, e quero dinheiro para comprar comida'', revelou.
No Calçadão, estão alguns grupos de índios provenientes da reserva de Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Uma parte fica defronte às Lojas Americanas. Outros dividem-se entre o início do Calçadão e a Avenida Rio de Janeiro, próximo à agência do Banco do Brasil. O negócio principal é a venda de balaios artesanais.
Um grupo proveniente de Tamarana também tem percorrido as ruas levando grandes pedaços de palmito, recém-cortados da árvore. As crianças que acompanham o grupo pedem dinheiro de transeuntes e de pequenos comerciantes, além de salgados, doces e bebidas. O garoto L.Z., 12 anos, era um dos que percorria o centro com o palmito às costas, e informou que cada tora custava R$ 12,00. Logo, o índio mais velho do grupo proibiu o menor de dar declarações.
Outros índios de Tamarana preferiram montar acampamento às margens da Avenida Artur Thomas, no Jardim Sabará (zona oeste). Ali, a intenção é ficar até a passagem das festas. ''Nessa época o pessoal ajuda mais, já ganhamos até cesta básica'', disse o lavrador Ronaldo Pirai, 24 anos. Ele disse que em Tamarana planta arroz, feijão e milho para subsistência. Junto com filhinho, sobrinhos, a irmã e a cunhada, fica em uma precária barraca, próximo de um ribeirão. Apesar do mal cheiro que vem da água do local, Pirai diz que não há problema. ''A água é limpa, dá para beber e para tomar banho'', disse. Ele fala que mais gente vem saber como eles estão, mas não recebeu qualquer tipo de ameaça para deixar o local.
Lélia Maria dos Reis Refundi, uma das coordenadoras do projeto Sinal Verde, da Ação Social de Londrina, confirmou o aumento do número de solicitações para abordagens a pedintes. ''Agora no final do ano, com a chegada do Natal, um número maior de pessoas vem parar na cidade'', afirmou. O trabalho de abordagem e panfletagem tem sido feito por um total de 30 pessoas. No sábado passado, um mutirão distribuiu panfletos na cidade, pedindo a colaboração de motoristas, pedestres e comerciantes para a localizar e abordar menores e mendigos. Segundo a coordenadora, a orientação principal é que a comunidade não dê esmolas.

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