Nascentes do Rio Piava estão desaparecendo
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
A lâmina dágua nas principais nascentes do Rio Piava diminuiu 60 centímetros em apenas dois anos. Isso significa que as nascentes estão desaparecendo devido ao assoreamento provocado pela ocupação urbana irregular e pela falta de conservação de solo nas propriedades rurais.
O Rio Piava fornece a água consumida pelos mais de 80 mil habitantes de Umuarama. Único manancial em condições de abastecer a cidade, o Rio Piava vem sendo poluído e assoreado há mais de 10 anos.
Segundo o chefe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Umuarama, Clori Pontelo, há dois anos as nascentes dos principais afluentes do Piava tinham em média 80 centímetros de profundidade. Hoje não passam de 20 centímetros. A situação é preocupante segundo o chefe do IAP. Num espaço de tempo não muito longo, estas nascentes podem desaparecer, prevê.
O alerta foi feito ontem durante reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente. Embora o problema seja cada vez mais grave, pouco foi feito até agora para conter a poluição e o assoreamento do Piava.
Caberá ao conselho apontar a saída para um dos vários problemas que ameaçam o abastecimento de água na cidade. A criação de gado nas propriedades rurais da bacia do Piava. Segundo Pontelo, os cerca de 100 produtores rurais da região recuperaram a mata ciliar, mas o gado continua descendo até o rio para beber água. Os sulcos deixados pelos animais continuam provocando erosão e assoreamento.
O correto seria isolar de vez as margens, mas como ficam os produtores?, questiona Pontelo. Uma alternativa, a ser debatida pelo conselho será a construção de bebedouros comunitários. O maior problema, no entanto, é o Parque das Jabuticabeiras - o bairro mais populoso da cidade - implantado no início dos anos 80 em área de preservação ambiental e sem obras de infra-estrutura. A instalação de 7 mil metros de galerias pluviais no bairro está paralisada por falta de recursos.


