Nascentes que brotam no fundo do quintal, poças d’água que nunca secam, fossas que transbordam constantemente, chão e paredes úmidos o tempo todo. Estes são alguns dos problemas vividos por moradores do Jardim Neman Sahyun, na zona sul de Londrina. A Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) afirma que na época de apresentação do processo de regularização do loteamento, considerou a área imprópria para construção. A Pavibras Empreendimentos, responsável pelos lotes, vem fazendo a comercialização há cerca de quatro anos.
‘‘Não posso fazer um buraco no quintal da minha casa que já brota água. As fossas transbordam o tempo todo, porque não têm profundidade. Sou obrigada a tomar banho dentro de um tambor e depois jogar a água na rua’’, relata Rosa Vieira Martins, moradora da Rua José Negri. Ela e a vizinha Roseli Galvagni convivem com uma grande poça d’água ao lado de suas casas.
Na área em frente à rua existe hoje um brejo, que nasceu depois que o ponto de escoamento de uma mina foi aterrado para formação de um lago, há aproximadamente dois anos. ‘‘A lagoa se tornou um depósito de insetos’’, dizem as moradoras, que temem a contaminação de doenças como a dengue.
O diretor operacional da AMA, João Mendonça, disse não saber como a construtora conseguiu a liberação do loteamento. ‘‘Estamos levantando junto à prefeitura toda a documentação do processo de legalização para tomarmos as providências cabíveis’’, disse Mendonça. O diretor da AMA informou ainda que o caso deverá ser levado em breve para investigação pela Promotoria do Meio Ambiente.
Segundo o gerente administrativo da Pavibras, João Bas, o processo de regularização obedece a critério no qual estão envolvidos o Departamento Jurídico da prefeitura, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), AMA e Secretaria de Obras. ‘‘Se tivesse algum parecer contrário o loteamento não seria aprovado’’, afirmou Bas. Ele disse ainda que se os alvarás para construção estão sendo fornecidos, é porque o loteamento está regular.
O excesso de água no solo, de acordo com o gerente da construtora, vem sendo causado pelo represamento da mina, localizada em uma área de preservação. A formação do lago, segundo Bas, foi sugerida pela AMA. ‘‘Como trata-se de uma área pública, não podemos intervir.’’
Para João Bas, o problema se agravou com o excesso de chuva nas últimas semanas. ‘‘O escoamento da água é muito lento, o que provoca o acúmulo. O lençol freático sobe e em torno dele surgem os veios d’água.’’ O empresário acredita que se o escoamento da mina, hoje feito por galeria, voltar a ser feito de maneira natural o problema estaria resolvido em pelo menos 60%.

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