O visual da nascente do Ribeirão Bandeirantes do Norte, em Arapongas, é deprimente. Além de um líquido verde e espesso que escorre a partir da deficiente lagoa de retenção às suas margens, outro lançamento contínuo de resíduos é despejado diretamente no rio pelo frigorífico. A água corrente, transparente e carregada de alevinos nos primeiros metros após a nascente, fica negra após a passagem pela empresa. O mau cheiro no local é intenso.
Complementa o quadro de degradação a imensa quantidade de lixo despejada pela população no fundo de vale que abriga a nascente. Ouvidos pela reportagem da FOLHA, os moradores alegam que não há recolhimento de lixo na Rua Estorninho - que é parcialmente asfaltada. ''O caminhão não chega no final da rua, então a gente é obrigada a jogar aí para não deixar o lixo acumulado na frente de casa. Já reclamamos na prefeitura, mas até agora nada foi feito'', afirma a dona-de-casa Ivonete Silvestre, 37 anos. De acordo com ela, o fundo de vale também é usado por moradores de outras regiões como ponto de despejo de lixo e entulho.
O secretário de Meio Ambiente de Arapongas, Jair Milani, negou que o caminhão de lixo não chegue à Rua Estorninho e criticou a postura da população. ''Nós fazemos recolhimento em toda a cidade. Naquele local o problema é a população que acha mais fácil jogar lá do que deixar no quintal'', afirmou. Segundo ele, a prefeitura já limpou a área várias vezes. ''Mas eles jogam de novo'', afirmou.(F.C.)

mockup