É possível atravessar fendas espaciais, percorrer distâncias astronômicas e chegar a pontos do Universo jamais imaginados? Assuntos como esse, que até pouco tempo só podiam ser imaginados em textos de ficção científica ou em efeitos nas telas de tevê e cinema, agora começam a ser debatidos com seriedade e muita esperança. Nos últimos dias, uma centena de cientistas reuniu-se no Centro Lewis de Pesquisas da Nasa, em Cleveland, EUA (www.lerc.nasa.gov) para ouvir outros cientistas falarem sobre a possibilidade de viagens interestelares.
Eles fazem parte de um projeto ainda relativamente sigiloso dentro da Nasa, chamado ‘‘Um Salto Na Física de Propulsão’’. Durante as exposições, um vocabulário bastante conhecido da ficção científica, como ‘‘fendas espaciais’’, ‘‘buracos de minhoca’’ ‘‘túneis do tempo’’ e ‘‘espaço contraído’’ foi empregado com frequência pelos expositores e aceito com naturalidade pela audiência.
Um dos pontos principais em todas as exposições foi a possibilidade teórica de que uma nave espacial, que passe por uma dessas fendas espaciais, possa atravessar o tecido do espaço-tempo e emergir em pontos muito distantes do Universo.
‘‘Nós ainda não sabemos se isso é fisicamente possível’’, explica o engenheiro aeroespacial Marc Millis, da Nasa ([email protected]). ‘‘Mas imagine se nós conseguirmos viabilizar isso, dando às pessoas da Terra acesso a um novo planeta, semelhante ao nosso, estável, capaz de abrigar a vida’’. A principal barreira, hoje, para os vôos interestelares está na ‘‘Teoria da Relatividade’’, de Albert Einstein (foto), que afirma serem impossíveis viagens a velocidades superiores à da luz (300.000 km/s).
As estrelas mais próximas do nosso sistema solar (‘‘Proxima Centauri’’ e ‘‘Alfa Centauri’’) estão a uma distância de 4 anos-luz (9,6 trilhões de quilômetros). Isso significa que para chegar a elas uma nave teria que viajar 4 anos à velocidade da luz. Como Einstein afirma que qualquer corpo que chegar a uma velocidade próxima à da luz se transformaria em energia, essa viagem fica teórica e praticamente impossível, pelo menos dentro do que sabemos e dispomos hoje em dia.
Nas exposições feitas durante o encontro, porém, vários cientistas apresentaram suas teorias sobre como imensas distâncias podem ser percorridas sem violentar a Teoria da Relatividade. Essas teorias giram em torno principalmente de descobertas muito recentes, como as fendas espaciais (também chamadas de ‘‘buracos de minhoca’’), que seriam passagens entre pontos muito distantes do Universo, ou, mesmo, entre universos e dimensões diferentes.
Outros pontos a favor das propostas científicas que admitem a viabilidade dessas viagens estão contidos, ironicamente, na própria Teoria da Relatividade, que levanta a hipótese de que nas velocidades próximas da luz o espaço se contrai e que existem partículas que viajam no tempo, vindo do futuro para o presente.
Um dos assuntos de maior interesse entre os vários apresentados no encontro do Centro Lewis de Pesquisas relaciona-se com a teoria do ‘‘espaço contraído’’, idéia apresentada em 1994 por Miguel Alcubierre, astrofísico da Universidade de Gales. Ele publicou seu trabalho num pequeno boletim chamado ‘‘Gravidade Clássica e Quântica’’, editado na Grã-Bretanha. De acordo com sua teoria, seria possível contornar o limite de velocidade definido por Einstein para a matéria, simplesmente ‘‘movendo o espaço em torno da matéria’’. O espaço, afirma Alcubierre, sendo não-material pode ultrapassar a velocidade da luz.
Para quem é leigo, essas são explicações praticamente incompreensíveis, porém o que importa é sabermos que essa possibilidade foi compreendida e muito bem aceita pela comunidade científica mundial. E que, portanto, os caminhos para as viagens estelares está sendo aberto. Dentro da própria Nasa, como reconhece Marc Millis, existe uma certa ‘‘vergonha’’ em admitir publicamente a existência desse projeto. É que ele é considerado ‘‘avançado demais’’, visionário para a grande porcentagem de cientistas conservadores. Mesmo assim, e dentro de seus limites de recursos materiais, ele continua avançando.
Para quem observa de fora, não custa relacionar com o chamado ‘‘fenômeno óvni’’, hoje em dia tão difundido e com eventos comprovados num volume jamais visto na história da Humanidade. É pura especulação, mas não custa lembrar que, se as viagens estelares da Terra para outros pontos do Universo forem viabilizadas, devemos admitir que o caminho seja de duas mãos. Isto é, que viajantes de outros pontos do Universo possam chegar até nós, ou que já estejam chegando. (E.C.B.)

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