Muita paciência e uma dose extra de destreza para manipular arames suficientemente finos para desenhar sobre a areia colorida e dezenas de bilros que dão forma à renda. Com esses predicados, dezenas de londrinenses estão se aventurando no universo do artesanato cearense e passaram o feriado suando nas oficinas que acontecem junto com a 9Festa Nordestina aberta oficialmente ontem. A festa também trouxe à cidade oficina de bonecos mamulengos, outro ícone do artesanato nordestino.
Entre os alunos esforçados estão artesãs profissionais, gente que quer experimentar e até crianças. Debruçado sobre uma paisagem minúscula confeccionada dentro de um vidro de remédio, Igor Oda Campos, 10 anos, não fez feio na oficina de artesanato em areia. ''Não gosto de ficar parado e resolvi fazer, até achei que era mais difícil, mas é fácil'', comenta o menino.
A professora Janaíra Rodrigues de Moraes, 30 anos, que trabalha com areia colorida em desde os cinco anos de idade, ensina que a receita para o sucesso é a persistência e uma certa coordenação de movimentos. ''Mas eles até que estão indo bem'', avalia.
Na outra sala, de renda de bilros, as coisas não estavam tão calmas e as duas professoras eram constantemente solicitadas para ensinar os segredos das tramas. Também nessa tarefa, a paciência é a primeira virtude.
Artesã experimentada em crochê, macramê e outras artes do fio, dona Marina de Almeida Rodrigues, 63 anos, reclamava da complexidade do trabalho. ''Tem hora que me falta paciência mas vou continuar tentando'', afirma. Ela quer confeccionar peças para vender no estande que tem no Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal).
Outra artesã, essa por hobby, a contadora Solange Félix Bonfim, 33 anos, destaca que há tempos tinha vontade de aprender a técnica de bilros. ''Essa deve ser a primeira vez que temos uma oficina dessa em Londrina, tem que aproveitar'', diz.
Para a professora Gracimar Dantas, a mestra Mana, as alunas levam jeito. ''Até agora ninguém desistiu do curso e olhe que já vi muita gente perder a paciência e ir embora'', brinca a artesã.

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