Nas nuvens, em um passeio de balão
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sexta-feira, 08 de abril de 2005
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
Se você é daquelas pessoas que costumam olhar os pássaros e imagina como deve ser bom voar... seus instintos estão certos. Voar é uma delícia. A primeira prova do 2º Campeonato Sul Brasileiro de Balonismo da Sociedade Rural do Paraná reuniu 11 balões ontem, no fim da tarde. Dentro dos cestos, além dos pilotos, de várias partes do País, convidados da imprensa. O campeonato faz parte da programação da Expo 2005.
A aventura começa ainda no chão, é preciso primeiro vencer o medo. Olhando de perto, aqueles cestinhos de vime parecem tão frágeis... Mas depois de tomada a decisão, é só guardar o medo na bolsa e tentar se distrair com as perguntas. Um dos pilotos, Johny Alvarenga, explica que o gás usado é o propano, parecido com o gás de cozinha, só que mais pesado. É importado e custa caro - R$ 280 reais um butijão de 45 quilos, que dá para meia hora de vôo. À medida em que ele vai explicando quais são os outros componentes, os preços também vão subindo. O tanque de gás custa 600 dólares e o envelope, que é o nome correto daquilo que a gente chama de balão, custa 35 mil reais e tem uma vida útil de 400 horas.
Depois de descobrir para que lado estava soprando o vento, os pilotos decidem largar do Autódromo. Na hora de encher o balão é preciso cuidado para não incendiar o envelope. Logo a estrutura dobrada no chão se ergue, vagarosamente, e quando percebo, estou dentro do cesto.
Boba de emoção, olhando o chão ficando cada vez menor, esqueço de perguntar o sobrenome do piloto (desculpe, Welington). Esqueço de olhar no relógio, esqueço o medo guardado dentro da bolsa. Paciente, ele me explica que o nosso balão é a ''raposa''. A primeira prova do campeonato se chama ''Caça à raposa''. Um dos balões, a raposa, sobe primeiro. Cinco minutos depois, os outros largam atrás e tentam alcançá-lo. Vence o balão que chegar mais perto.
Aos poucos, solto o ar preso no peito e consigo falar. Para manter a altitude, ele vai liberando gás - são 4 tanques de 20 litros, o que nos garante duas horas de vôo. Controlar a direção é mais difícil; os pilotos costumam dizer que os balões voam no sistema SDS - Só Deus Sabe onde e quando vão pousar.
Lá de cima, as favelas ficam mais feias. Em compensação, percebo uma cidade desconhecida. Há verde por toda parte, prédios e árvores se misturando. Fico perdida um bom tempo, sem conseguir me localizar. Que rotatória é aquela? Será possível que a avenida Maringá seja tão estreita ? Welington é de Guarulhos mas já esteve várias vezes em Londrina. Ele é professor de Educação Física mas atualmente vive só de balonismo, viajando inclusive para fora do País. Enquanto a maioria das pessoas passa uma vida inteira esperando por isso, os pilotos voam, em média, 6 horas por semana. (Preciso me lembrar que a inveja faz mal).
Por onde passamos, as pessoas acenam. Lá em cima, o barulho é surpreendente, parece que todos os ruídos da cidade chegam juntos: crianças chorando, motores de carro, buzinas.
Estreiando como co-piloto, presto atenção nos prédios, fios e antenas. Pergunto se ele já sofreu algum acidente. Ele conta que há dois meses bateu num fio de alta tensão. Me arrependo de ter feito pergunta tão boba. Welington quer descer no Igapó, bem ao lado das quadras de areia. Com habilidade, ele evita as árvores e pousa suavemente na grama. Por cima de nós, os outros balões vão passando. Welington abre um sorriso - a raposa vai vencer a primeira prova do campeonato. A caminho de casa, descubro que tenho duas coisas para guardar no 'baú de memórias': o prazer de voar e a sensação de ter redescoberto como é bom realizar um sonho.


