Nas celas, sobram reclamações
Das 61 presas no 3º Distrito Policial (DP), 47 são de Londrina. As demais são oriundas de cidades da região. A maioria está presa por tráfico e apenas duas foram indiciadas por homicídio. Todas têm muitas reclamações sobre as condições de vida nas celas. Curiosamente, a superlotação da carceragem 23 pessoas acima de sua capacidade não é uma delas. As principais dizem respeito a qualidade da marmita, servida duas vezes ao dia, e a falta de trabalho no interior da cadeia.
Para Lucineide da Cruz, 46 anos, presa há três meses por tráfico de drogas, em alguns dias, a comida chega azeda. ''Tem dia que a gente nem come porque não há condições'', afirmou. Ela reclama da falta do trabalho. ''Se pudessemos trabalhar, além de ganhar um salário, poderiamos ter a pena reduzida'', apontou.
Algumas presas apontam que o pior é ficar longe das famílias. Marli Silva Germano, 20 anos, está presa há 11 meses por estelionato. Ela prefere esconder da mãe, que mora em Fortaleza (CE), sua condição de presa. Marli disse que aprendeu muito nesse tempo na cadeia. ''Aprendi a dar mais valor na minha família e a ter paciência'', comentou. Sônia Nunes, 37 anos, presa por receptação de cheque roubado, prefere manter os quatro filhos longe da cadeia. ''Eles não precisam pagar pelo meu erro'', ressaltou.
Marli Virgínia Garcia de Almeida, 39 anos, reclamou da demora para ser transferida para a Penitenciária Feminina de Piraquara. Ela foi condenada, em dezembro do ano passado, a seis anos e oito meses de cadeia por tráfico de drogas. ''Somente 10% das pessoas conseguem se recuperar vivendo num lugar como este'', completou.
As presas da galeria A aproveitaram a presença da reportagem da Folha para escrever uma carta reivindicando melhorias. Elas observaram que muitas presas ficam doentes e, por isso, seria necessário a presença de um médico e de um cirurgião dentista dentro do distrito. De acordo com o delegado responsável pelo distrito, Manuel Pelisson, em caso de doenças, as presas são encaminhadas para o posto de saúde. O problema é que dependem de escolta policial, o que pode aumentar o tempo de espera.
Sobre a comida, o delegado afirmou que as presas comem melhor que qualquer bóia-fria. ''Tem dia que até eu como a comida. Além do mais, não convidei ninguém para estar aqui'', rebateu. Ele garantiu que, ali, não há nenhuma presa esperando transferência à penitenciária. ''São 13 condenadas provisórias que ainda estão recorrendo da pena'', declarou.
A situação do 9º DP de Curitiba é parecido no que diz respeito à superlotação. Segundo Neimir Cristóvão, superintendente do DP, 66 mulheres dividem espaço destinado a 30. Entretanto, as presas da capital recebem atendimento ginecológico na própria cadeia, além de contarem com algumas regalias como chuveiro elétrico. ''Procuramos acomodá-las da melhor maneira possível'', afirmou. (G.A.)





