A banda do clube ataca de FalaMansa, poucos casais na pista, sobram arabescos e firulas na coreografia. Homens e mulheres chegando. Todos de meia idade ou quase. Há jovens, meninas, cabelos longos, roupas curtas, desleal competição.
Aquela de azul, já madurinha, dança sozinha, perto da mesa. A outra, de preto, também começa. Os homens, machões de boa cepa e nobre estirpe, andam e olham, esnobam. Talvez sejam tímidos. Talvez sejam cínicos. As mulheres, sentadas, esperam.
A luz neon fulgura, esparsa. O telão lá no fundo, sempre cheio, de propaganda. Muitos fumam. Nervosos? Ansiosos? Quem não quer alguma coisa? Como revelam os olhares 43, 34, todos calibrados para avaliar o que é possível. Ou não. Encostados, os homens espreitam. Impacientes, as mulheres balançam pés, mãos, cabeças, num ritmo improvável. Quem vai dar o primeiro passo?
Salão cheio, agora os casais se espremem, menos floreios, uma certa inocência. Os garçons são figurinhas difíceis, pressentem as gorjetas e volteiam empresários, fazendeiros, fregueses de caderneta , como pássaros atrás do milho. Em tudo, uma mistificação, um faz de conta que pode dar certo, que nada quero, mas quem sabe? Será possível?
Bebidas aqui e ali, cerveja, uísque rodando. Beijinhos, amassos, exibição por pouco impecável. O corpo fala e diz que anseia, mas o entendimento é difícil e o apelo de aconchego esmorece, torna tudo, potencialmente pleno de possibilidades, apenas um brilho, fugaz, logo esquecido na aterrissagem.
Cena de uma noite londrinense.

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