Nariz artificial evita vazamentos de petróleo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Pesquisadores de Pernambuco pretendem desenvolver até o fim do ano um nariz eletrônico 100% nacional, capaz de detectar vazamentos de petróleo em tubulações. O aparelho poderá evitar derramamentos como os que ocorreram em julho no Paraná e em janeiro no Rio de Janeiro.
O dispositivo permitirá detectar e distinguir óleo diesel, gasolina e gases derivados de petróleo. Assim, vazamentos poderão ser apontados precocemente. O projeto, de R$ 410 mil, é financiado pelo fundo setorial CTPetro.
O aparelho será colocado próximo às juntas das tubulações, onde a chance de vazamento é maior, e enviará sinal de rádio a um computador na central de operações da refinaria quando detectar cheiro de óleo.
Esse narizes também diferenciam gases indistintos para nós. O acidente na Bahia, em que pessoas tomaram metanol achando que era etanol (álcool etílico), é um exemplo da nossa limitação, afirma o físico Francisco Luiz dos Santos, da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco), um dos coordenadores do projeto.
O nariz interessa à indústria eletrônica, por exemplo. Empresas inglesas estão desenvolvendo detectores embutidos em fornos de microondas para evitar que alimentos queimem.
A versão brasileira do nariz custará 10% do valor de mercado, que é de R$ 20 mil, pois a tecnologia está sendo desenvolvida no País, na Unicap e UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Além de Santos, a equipe inclui o químico Edson Gomes, da Unicap, e Marizete Santos e Tereza Ludermir, da UFPE.


