O narguilé, também conhecido como cachimbo d’água, shisha ou hookah, é vendido como peça de decoração e usado por jovens e adultos em festas e eventos sociais. Parece inocente, mas o que muitos não sabem é que ele causa dependência e, em longo prazo, câncer de pulmão, boca e bexiga, aterosclerose e doenças respiratórias e coronarianas. Em uma sessão de uma hora de uso do narguilé, você pode inalar o equivalente à fumaça de 100 cigarros ou mais.
A crescente popularidade do narguilé entre adultos jovens e adolescentes tem preocupado a saúde pública em todo o mundo: estima-se que cerca de 100 milhões de pessoas usam narguilé para fumar tabaco todos os dias no mundo, de acordo com a pesquisa Reducing Hookah Use – "Um desafio para o século 21". No Brasil, a pesquisa Perfil do Tabagismo entre Estudantes Universitários no Brasil (PETuni), coordenada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), analisou o consumo de narguilé entre estudantes da área de saúde. O estudo mostrou que - no ano de 2011, em Brasília (DF) e São Paulo (SP) - dentre os estudantes que declararam consumir com frequência algum tipo de produto derivado do tabaco diferente de cigarro , de 63% a cerca de 80%, respectivamente, fizeram uso do narguilé. Já outro estudo, entre estudantes de Medicina de uma universidade em São Paulo, mostrou que a experimentação de narguilé entre alunos do terceiro e sexto anos foi de 47,32% e 46,75%, respectivamente.
Vitor Silva (nome fictício), de 25 anos, morador do Distrito Federal, adquiriu uma peça de narguilé junto com um amigo. O jovem fuma atualmente de duas a três vezes ao mês, mas já chegou a usar com mais frequência. "Fumo sempre que vou a um bar de narguilé, geralmente para assistir a jogos de futebol ou em um dia de semana quando saio com amigos para conversar. Geralmente fumo a noite inteira, mas vou diminuindo ao longo da noite", conta.

EFEITOS NOCIVOS
O uso frequente dos produtos derivados do tabaco causa também problemas de fôlego, mau hálito e envelhecimento precoce, mesmo em usuários adolescentes e jovens. O fumante passa a ter dificuldades de praticar esportes e outras atividades saudáveis de que gosta. Por já ter passado mal algumas vezes por causa de pressão baixa, Vitor pretende não fumar mais. "Eu tenho diminuído e não quero mais fumar, mas realmente ainda fumo em algumas ocasiões. Cheguei a fumar três vezes por semana, mas narguilé enjoa", afirma.
Um dos grandes riscos do narguilé é a intoxicação por monóxido de carbono - mesmo gás tóxico liberado pelos canos de descarga de automóveis - o que gera a redução da oxigenação do sangue e do cérebro. Os sintomas de intoxicação aguda por monóxido de carbono são inespecíficos e podem variar de fadiga, náuseas, e dores de cabeça à perda da consciência, desmaios, arritmias cardíacas, isquemia miocárdica e morte.
Um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Israel demonstrou que o envolvimento de usuários de narguilé em acidentes de trânsito é 40% maior do que os não usuários. O estudo concluiu que seu uso torna o ato de dirigir menos estável e mais perigoso devido à hipóxia cerebral (diminuição da oxigenação do cérebro) causada pelos altos níveis de monóxido de carbono inalado. O estudo também apontou que a hipóxia cerebral deixa as pessoas com fala arrastada, movimentos lentos, tonturas, leve tremor, falta de autocontrole, uma sensação de euforia, diminuição da visão e diminuição da capacidade de identificar cores. Esses efeitos tendem a se manter de quatro a seis horas depois do uso.

DEPENDÊNCIA
O uso de narguilé é prejudicial à saúde e pode ser a porta de entrada para a dependência do tabaco e de outras drogas. Além disso, ao compartilhar o narguilé com outros usuários, a pessoa se expõe a hepatite C, tuberculose, herpes e outras doenças da boca.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o planeta. Seis milhões de pessoas morrem no mundo por ano devido ao uso do cigarro. E, somente no Brasil, 75% dos fumantes começam a fumar antes dos 18 anos. Adolescentes fumantes possuem alta probabilidade de se tornarem adultos fumantes. Quanto mais cedo a pessoa entra na dependência do tabaco, maior o risco de contrair câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis.
De acordo com o INCA, a última estimativa mundial apontou incidência de 1,82 milhão de casos novos de câncer de pulmão para o ano de 2012, sendo que em 80% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. No Brasil, os números foram de 23.501 mortes em 2012.

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