Narcotráfico leva a sequestro de bem
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Justiça Federal de Cascavel determinou ontem o sequestro de uma fazenda em Amambai (MS), de propriedade de Antonio Joaquim Tormena, 51 anos, e de seu irmão Raineldes Tormena, 53 anos, para garantir o pagamento de multa que poderá ser-lhes atribuída, em caso de condenação em processo por tráfico internacional de cocaína.
Os dois, cujo último endereço conhecido era a cidade de Toledo (45 km a oeste de Cascavel), são acusados de enviar 1.190 quilos de cocaína de alta pureza para a Espanha, numa das maiores operações do gênero já registradas em todo o Brasil. A fazenda sequestrada, de 372 hectares, é o único bem disponível em nome dos irmãos e está avaliada em R$ 107,4 mil. Giulian Tormena, 22 anos, filho de Antonio Joaquim, também é processado, mas não tem bens que pudessem servir como garantia.
Os Tormena eram donos da empresa J.R.G Painéis e da Impatol, de Toledo, do ramo madeireiro. Segundo o procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, autor da denúncia contra os Tormena, a J.R.G., uma subsidiária, foi utilizada como fachada para o envio da cocaína, em agosto de 1996.
A droga foi escondida em fundos falsos de blocos de compensados de madeira. O carregamento, transportado em navio, foi apreendido pela polícia da Espanha, quando Antonio Joaquim Tormena estava naquela país, acompanhando a operação. Ele conseguiu fugir e retornar ao Brasil, enquanto cúmplices espanhóis foram presos.
Na sequência, a Justiça espanhola remeteu uma carta rogatória ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, noticiando o crime, que por sua vez a redistribuiu para a Justiça Federal de Cascavel, à qual Toledo é jurisdicionado, e por isso competente para o caso.
Segundo o procurador Celso Antônio Três, os Tormena abriram uma subsidiária, a Eurolaminas, em Santander, capital da província da Cantábria, ao norte da Espanha, onde atuava através de um representante espanhol, Luciano Montero Vale. Três conta que os empresários de Toledo adquiriram a cocaína através de contatos na Colômbia e Bolívia, em operação ainda não explicada até a chegada da droga em Toledo, de onde o carregamento partiu em caminhões, para ser embarcado no porto de Paranaguá, no navio espanhol Capitan Kiris.
No país de destino, já havia investigações sobre a existência de uma quadrilha na rota ColômbiaBolíviaBrasilEspanha, com ramificação em Toledo. Quando os contêineres chegaram à sede da Eurolaminas, a Polícia localizou a cocaína e prendeu em flagrante Luciano Vale.
Joaquim Antonio Tormena estava em Santander, mas conseguiu fugir, e embora mandado de captura internacional expedido pela Espanha, não foi extraditado pelo Brasil, por sua nacionalidade. As empresas dos Tormena foram à falência, e segundo o procurador, não se sabe a localização deles.
Para a acusação de tráfico internacional paralelamente à de formação de quadrilha , as penas podem ultrapassar 15 anos de reclusão para cada envolvido. O processo está nas mãos do juiz federal Roger de Curtis Candemil que determinou o sequestro da fazenda.





