Apesar da fila de espera, o sistema público de saúde do Paraná confirma hoje, mais uma vez, sua posição de referência nacional na área de transplantes. O volante Narciso – atualmente jogador do Santos e com passagens pela Seleção Brasileira – vai receber, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, doação de medula óssea de uma irmã, Nilda dos Santos, de 29 anos.
Narciso sofre de leucemia mielóide (uma espécie de câncer no sangue, que ocorre quando o organismo produz desordenadamente mais glóbulos brancos que vermelhos). A doença no jogador foi descoberta há menos de cinco meses. Ele está internado no hospital há uma semana, período em que se submeteu a quimioterapia para ‘‘limpar’’ a medula de seus ossos de células doentes e prepará-la para receber as células sadias da doadora.
Segundo o diretor clínico do HC, Giovanni Loddo, 55 anos, o jogador de futebol não obteve privilégios por ser famoso. ‘‘Ele teve a sorte de haver um doador na própria família’’, afirmou Loddo. Isso evitou o caro e demorado processo de busca internacional de doador, que é realizado em todo o mundo, por meio de intercâmbio de informações em um banco centralizado.
Narciso vai ocupar um dos dois leitos destinados a pacientes usuários de planos de saúde ou particulares no Serviço de Transplante de Medula Óssea (STMO) – que ocupa o 15º, e último, andar do hospital. O tratamento, que custará cerca de R$ 70 mil, será pago pelo Santos. O serviço oferece outros 12 leitos para pacientes do SUS. ‘‘O transplante do Narciso não vai prejudicar o restante da fila’’, garantiu Loddo.
O clube queria realizar o transplante em Seattle (Estados Unidos), mas o jogador optou por Curitiba, para ficar mais perto da família. Implantado em 1979, o STMO foi o primeiro serviço de transplante de medula da América do Sul. Nesses 21 anos, fez 1,2 mil procedimentos (40% dos transplantes realizados no Brasil). Hoje, envolve uma equipe multidisciplinar de 140 pessoas.
Apesar do alto custo, o transplante de medula óssea, depois de encontrado o doador compatível, é um processo simples e rápido. A medula (tecido viscoso encontrado dentro dos ossos e que é responsável pela produção de glóbulos brancos, células que agem no sistema imunológico do organismo) é retirada do osso da bacia do doador por meio de uma seringa e implantada na veia do braço do receptor. O processo é idêntico a uma transfusão de sangue. Não há qualquer corte.
O transplante é indicado a pessoas que sofrem de doenças sanguíneas, como leucemia e aplasia (a falta de produção de células sanguíneas). As células progenitoras (mães) do doador cuidarão de repovoar a medula do receptor com células sadias. Os índices de rejeição são quase nulos.
Após o transplante, Narciso deverá permanecer no hospital por cerca de 30 dias, mas ficará em Curitiba por cinco meses, para acompanhamento médico. Ele só voltará a jogar em meados do próximo ano. (VD)

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