Naps faz atendimento alternativo
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domingo, 16 de novembro de 1997
Londrina 
Dorico da SilvaReconhecimentoNoemi de Fátima da Silva, 25 anos, paciente do Naps: É como se estivesse na minha casaDesde setembro do ano passado, funciona em Londrina um exemplo do que preconiza a lei de Florisvaldo Fier: o Núcleo de Atendimento Psicossocial (Naps) tido como uma proposta moderna de atendimento psiquiátrico. O Naps mantém atendimento 24 horas no pronto-socorro, por onde, geralmente, os pacientes dão entrada ao serviço e de lá, são encaminhados para o tratamento mais adequado: hospital-dia, internamentos (no máximo sete dias) ou atendimento ambulatorial. Todos os serviços são gratuitos.
A coordenadora do Naps-adulto, Marilu da Silva Stock, explica que o Núcleo mantém seis leitos para curta permanência, ocupados por pacientes que chegam ao serviço muito agitados, agressivos, com depressão ou ansiedade intensa.
Os pacientes que têm condições de ser apenas medicados, sem necessitar do internamento, são encaminhados para atendimento ambulatorial (são mais de mil pacientes cadastrados no Naps), ou atendimento no hospital-dia, que frequentam de segunda a sexta-feira ou, no mínimo, três vezes por semana.
Além de medicamentos, cuidados médicos, psicológicos e acompanhamento de assistentes sociais, os pacientes do Naps têm terapia ocupacional, atividades de cozinha, entre outras. A procura pelo serviço é grande. Tanto que os cerca de 450 metros quadrados da casa, na rua João XXIII, há muito tempo são insuficientes para absorver toda a demanda.
Aqui, nós já começamos o trabalho com o espaço apertado, observa Marilu Stock. Segundo ela, é necessário pelo menos o dobro do espaço disponível, para que possa funcionar no serviço uma sala de observação, mais três ou quatro consultórios, e instalação de dois leitos para observação de pacientes do hospital-dia. A coordenadora informa ainda que muitas consultas para ambulatório são encaminhadas para outros serviços porque o Naps não tem condições de atender.
Marilu Stock ressalta que o trabalho do Naps é alternativo, moderno, mas há casos para os quais é indispensável a internação mais prolongada. Muitos casos não dispensam a internação integral.
Sirlene Ferreira Barbosa, 28 anos, é uma das cerca de 30 pacientes do hospital-dia do Naps. Ela mora com dois filhos, nos fundos da casa da mãe, no jardim Leonor (zona oeste) e começou a frequentar o Naps após uma crise, há pouco mais de um mês.
Já fiquei internada bastante tempo em outro hospital, mas não gostei. Lá só tem loucos de vez. Aqui no hospital-dia eu me sinto bem. Nós conversamos sobre os problemas que temos e até rimos de muito deles, quando falamos dos bichos que a gente vê. Eu não via bicho nenhum, agora eu vejo, comenta Sirlene.
Noemi de Fátima da Silva, 25 anos, frequenta o hospital-dia há cerca de 50 dias. Eu cheguei em crise, fiquei internada quatro dias e agora frequento o hospital-dia. Está sendo maravilhoso. É como se estivesse na minha casa.
(Benê Bianchi)


