Albari RosaUniãoFamiliares não escondem decepção com o pouco que foi feito até agora para punir policiais que mataram inocentesA imagem do filho, do pai, do amigo morto por um erro da polícia ainda choca, arranca lágrimas e enche de revolta os dias contados no calendário inaugurado pela perda. Por ironia e num exercício quase masoquista, é justamente essa imagem que as famílias das vítimas da violência policial não querem esquecer. Para evitar que os crimes sejam engavetados e ignorados, como costuma acontecer com frequência, os familiares reunidos no Fórum Contra a Violência, criado há quatro meses em Curitiba, não escondem o tom de decepção com o pouco que foi feito até agora para punir aqueles que mataram pessoas inocentes sob o pretexto de defender a sociedade.
O Fórum, encabeçado pelos pais dos estudantes Rafael Zanella e Luciano Salkovski e que reúne quase 15 famílias, tornou-se um centro de resistência à falta de ação da Justiça. Na época dos crimes, enquanto permaneceram sob o foco da mídia, as famílias receberam promessas de que os casos seriam resolvidos com prioridade. Todos, sem exceção, tiveram naqueles dias a impressão de que seu familiar seria o último a ser morto gratuitamente pela polícia. ‘‘Agora já faz quase um ano e vejo que tudo continua da mesma maneira, com novas vítimas sendo criadas a cada dia’’, diz Elizabetha Zanella, mãe de Rafael.
Ao invés de tristeza e inércia, as famílias adotaram um tom sério e insatisfeito. Durante as reuniões, há momentos de choro, mas a maioria das vezes as críticas são duras contra o governo estadual, a quem responsabilizam diretamente pelos erros da polícia. Além de manisfestações públicas, o Fórum, que já recebeu o apoio da Anistia Internacional, pretende fazer seminários e abaixo-assinados criticando a ação dos policiais. ‘‘Pode demorar muito, mas não vamos descansar enquanto as coisas não mudarem’’, diz Elizabetha. (C.P.)

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