Em busca de melhores condições de vida, a dona de casa Valdineia Aparecida Maria e o servente de pedreiro Paulo Sérgio França deixaram a Zona Rural de Apucarana com destino a Londrina no início de 2010. Acompanhados pelos quatro filhos, eles conheceram, na cidade, a difícil tarefa de colocar comida à mesa sem recorrer à oferta abundante do campo. ''Se falta dinheiro, falta comida'', disse Valdineia.
A realidade da família, que vive do pagamento pelos dias de serviço de França e a Bolsa Família de R$ 66, tem momentos de desespero. O pior deles aconteceu há alguns meses, quando Valdineia serviu, no jantar, a última porção de arroz aos filhos. ''Na manhã seguinte, não tinha comida para por na marmita do meu marido.''
Neste dia, na escola, Vanusa, 12, Valciane, 11, e Valter, 9, pediram ao diretor para levar um pouco da merenda para a mãe, grávida do quinto filho, alegando que ela estava com ''desejo''. ''Na verdade, eles trouxeram a comida para a irmãzinha (Pamela Vitória, 2).''
Há dois meses, a família passou a receber uma cesta básica do projeto ''Desafiando Gigantes'', do qual as meninas participam para treinar atletismo e são reconhecidas como excelentes atletas e alunas.''Ajuda muito, porque precisamos comprar menos comida'', avaliou a mãe, que considera humilhante pedir ajuda para adquirir alimentos.
Outra dificuldade é satisfazer as vontades dos filhos, a quem muitas vezes negam bolo, sorvete ou biscoitos por não terem condições de comprar. França, que trabalha apenas quando o clima está bom, aproveita os dias sem serviço para batalhar uma ''mistura'' diferente num rio. De olho na movimentação do pai, a pequena Vitória fica ansiosa quando ele pega a vara de pescar, porque sabe que a próxima refeição terá a comida preferida: peixe.
O professor de educação física Cleverson Oliveira, responsável pelo projeto ''Desafiando Gigantes'', começou a distribuir cestas básicas às famílias dos alunos depois de conhecer as condições em que muitos viviam. As 14 cestas são insuficientes. ''Às vezes as mães me pedem, envergonhadas, e não tenho como dar. Nessas horas, me sinto impotente.''

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