Não temos raiva do Sandro
A família Favaro, que mantém uma loja de venda de baterias para carros na Avenida Colombo, em Maringá, teve pelo menos um desejo atendido. Logo depois do acidente em que morreu o empresário Nelson Favaro, a prefeitura construiu um quebra-molas no local do acidente, em frente à loja, nos dois lados da pista. No mesmo lugar quatro pessoas já haviam sido atropeladas e mortas em 1995.
Paulo, 27 anos, o único filho homem de Nelson, assumiu os negócios do pai. Nelson tinha quatro filhos e três netos. As reuniões com a família eram semanais. Hoje, a viúva Luzia mora sozinha, mas vive cercada pelos netos. A avó de Paulo e mãe de Nelson, dona Idalina, com quase 80 anos, não se conforma e ainda hoje chora escondida pelos cantos da casa.
Silvana, casada com Paulo, lembra que no dia do acidente a loja já estava fechada e que o sogro havia atravessado a rua para ir à lanchonete. Morreu no caminho de volta. Eu e o Paulo estávamos de casamento marcado para o dia 25 de maio daquele ano. Estávamos arrumando a casa, quando veio a notícia. Todos que testemunharam o acidente disseram que o Sandro fazia um racha com outro carro. Ninguém quis linchá-lo. Quem correu para a pista foi para ajudar meu pai e o servente de pedreiro, informa Paulo.
Segundo ele, a família não quis recorrer da sentença judicial porque o advogado explicou que mesmo vencendo em outra instância o acréscimo à pena seria muito pouco. Não temos raiva do Sandro. O que a gente queria mesmo é que ele fosse condenado à pena mínima de seis anos, pelo menos. (M.W.V.)





