Não tem luz, falta água. O que sobra é sujeira
Os 13 quilos do botijão de gás pesam sobre os ombros da dona-de-casa Ângela Reis do Sino, 23 anos, enquanto ela se dirige para casa para preparar o almoço. Casada e com um filho, há dois anos morando numa ocupação irregular ao lado do Jardim Ideal - em frente ao fundo de vale do Conjunto Santa Inês, na zona leste -, Ângela está acostumada enfrentar as dificuldades da vida. E, principalmente, as dificuldades que encontrou no lugar, conhecido como Favela do Ideal.
Falta tudo aqui. Não tem luz e a gente tem que buscar água lá embaixo, na mina. A única coisa que sobra, pra gente, é sujeira, desabafa. A chuva também é outro transtorno para os moradores da ocupação ao lado do Ideal. Embora a rua que passa em frente seja asfaltada, os barracos foram montados sobre a terra, que logo vira lama quando o tempo fecha e a água cai do céu.
Vira a maior lama quando chove. Molha tudo, fica uma lameira só. Mas a gente tem que morar assim mesmo. Não tem outro lugar para ir, fazer o quê?, resigna-se. O marido, desempregado, foi operado da vista e não pode trabalhar. A gente vai levando, não tem muito o que fazer.
Enquanto Ângela carregava o botijão nas costas, na manhã da última quinta-feira, Rosalina Correa Patrocínio cozinhava o feijão num fogareiro improvisado, em frente ao barraco onde mora com a filha há três meses. Minha idade? Nem sei. Rosalina diz que é amigada, mas o companheiro só vem de vez em quando. Ela conta que morava com o irmão, na Vila Marísia, e mudou porque não combinava com a cunhada. Aí meu irmão comprou aqui e arrumou pra gente, explica. Sobre a nova casa, ela afirma que está satisfeita. Para ficar melhor só falta uma luzinha, né. Mas está bom, não tenho do que reclamar. (L.H.)





