'Não sei o que esperar do amanhã'
Blumenau - Do Centro de Arrecadação, as doações seguem para os abrigos montados nos bairros mais atingidos. É o caso do Colégio Victor Hering, no bairro Vila Nova, que chegou a receber 180 pessoas no domingo passado, pior dia da enchente. Hoje, cerca de 50 pessoas ainda permanecem no local. São famílias que não sabem como será o futuro.
''Perdi minha casa, meu emprego. Não sei o que esperar do amanhã'', desabafou Antônio Tobls. Dono de uma eletrônica, Tobls morava e trabalhava no mesmo local. Na madrugada do domingo, a água invadiu a casa, destruiu móveis, ferramentas de trabalho e também os sonhos da família. ''O imóvel está condenado'', disse Tobls, que é casado e pai de Amanda, 4 anos, e Ubelino, 2.
Já Anderson Vieira de Góes conseguiu salvar o carro. ''Quando vi que iria alagar, pus o carro na rua e carreguei com o que deu'', contou. Alguns dias depois, ele voltou até o local e descobriu que o terreno em que morava não existe mais e a casa ''está por um fio''.
Góes é cobrador, ainda tem um emprego, mas não sabe até quando. ''Vou cobrar de quem?'', perguntou. ''A cidade está parada. Antes, a gente achava que o 13º (salário) iria ajudar muita gente a colocar as contas em dia, mas agora muitos perderam tudo, como a gente'', lamentou.
A família Góes e a família Tobls dividem uma sala de aula no Colégio Hering. As doações ajudam a minimizar o desconforto. ''Recebemos muitas roupas, colchões'', contou Góes. A água mineral é usada nas refeições. ''A que vem na torneira ainda não está boa para o consumo'', contou Michele, esposa de Góes. (R.C.F)





